Bang, Bang!

Imagem: Arquivo Google – Blog da Cidadania

Cumprindo o que prometeu em campanha, o presidente Bolsonaro foi lá e assinou o decreto que flexibiliza a venda de armas de fogo no país. E esse, claro, foi o assunto mais comentado da semana, provocando um verdadeiro bang-bang de opiniões nas redes sociais.
A discussão entre os que defendem e os que atacam o decreto, está pegando fogo. Tiros virtuais são disparados a todo o momento e só na minha tela, eu já contabilizei uns cinco mil mortos!
Quem defende, acha que com a posse de arma “seus pobremas se acabaram-se”. Quem é contra, acha um absurdo um governo estar priorizando um decreto desses no momento em que o desemprego atinge níveis preocupantes, num país que ainda não permitiu que muitas crianças tenham acesso aos estudos, onde falta saneamento básico, onde as pessoas continuam morrendo nos corredores dos hospitais, enfim….
Mas assuntos desse gênero sempre causam polêmica, é normal!
Eu, particularmente, não acho que armas tragam segurança a quem quer que seja, mas se querem liberar a venda, que liberem, só não me venham com chorumelas! Argumentar que é só porque o cidadão tem direito a defesa e assim garantir sua integridade física, não cola! Teríamos que ser atiradores de elite, pra derrubar um bandido com know-how. Na hora do “quem poderá me defender”, acredito mais é no Chapolin Colorado!
Essa medida, certamente, não vai diminuir em nada (pelo contrário) o assustador índice de criminalidade que rola no Brasil inteiro.
Estamos vendo o país pegar fogo, literalmente, a mando de bandidos que agem de dentro das cadeias. Estamos vendo adultos e crianças matando, diariamente, nos semáforos, em troca de celulares, relógios, bolsas e o tudo mais eles possam tirar da gente. Só não estamos vendo, até agora, atitudes imediatistas pra combater esses crimes. Então tanto faz se podemos ter uma arma ou não. Índio não quer mais apito, índio quer soluções!
Com o novo decreto que permite o posse de armas – para a decepção de eleitores de Jair Bolsonaro que esperavam ter também a porte – o “cidadão de bem” vai poder ter uma arma de fogo em casa, mas com algumas restrições: nada de deixar a pistola largada em qualquer lugar. E se tiver criança ou alguém com deficiência mental no recinto, a arminha só será permitida se for trancada num cofre. (Quem vai conferir?).
Só fico imaginando como seria um assalto, nesse caso. O “cidadão de bem” teria de prever o dia e a hora do assalto à sua residência para que ele pudesse tomar as devidas providências para se defender, ou contar com a compreensão e a paciência do assaltante: “você pode esperar uns minutinhos, que eu vou até o cofre e já volto”?
E também não consegui entender porque o decreto permite que a pessoa possa comprar até quatro armas de fogo. Que ser, que só tem duas mãos, precisaria de quatro armas? Isso pra mim, já é um arsenal.
No fim, tirando todas as discussões sobre o bem e o mal patrocinadas por “experts” no assunto, o que animou a parada foi mesmo aquela videocassetada verbal sobre o tema, protagonizada pelo Ministro Chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni. “A gente vê a criança pequena botar o dedo dentro do liquidificador e ligar o liquidificador e perder o dedinho. Então nós vamos proibir o uso de liquidificadores? Não! É uma questão de educação, uma questão de orientação. No caso da arma é a mesma coisa”!
Diante de tanta profundidade para tratar de um assunto de tamanha complexidade, me pergunto: o que passa por debaixo dos caracóis dos cabelos (?) da pessoa que faz uma declaração dessas?
Alguém me ajuda com a resposta?

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