9 de agosto de 2022
Colunistas Vera Vaia

Idiote!

Foto: Google Imagens – Poder360

Ando meio afastada das redes sociais para tentar manter o nível de stress dentro do limite razoável para uma sobrevivência mais saudável.

Não tenho tido saco pra essas brigas de torcidas organizadas defendendo os candidatos da polarização, no Twitter, especialmente.

Uma quer mostrar que seu candidato é o mais honesto do mundo, que só pensa no bem-estar dos pobres, que vai acabar com a fome (não especificam a de quem), que vai encher o país de emprego, que vai fazer a Economia rodar e colocar o Brasil no pódio dos mais bem de vida.

A outra quer provar que seu candidato, igualmente honesto, estará sendo roubado nas urnas e que, se isso acontecer, não vai poder continuar com seu belo trabalho em prol da Nação. Ele que tem mostrado ao longo de quase quatro anos – a maior parte do tempo sobre duas rodas – o quanto fez pela Saúde e pela Educação do povo e o quanto está preocupado com a situação de indigência de milhões de brasileiros, distribuindo o Auxílio Brasil para os necessitados até acabarem as eleições. (Depois disso? Ah, depois que se explodam!).

Perdi o ânimo até para escrever (acho que tô com TPE -Tensão Pré-Eleitoral).

Já tem um tempo em que estamos trocando bosta por merda nas eleições. E, desta vez, não será diferente.

O que dá pra fazer neste momento é votar no primeiro turno em quem a gente acha que merece nosso voto, para que o vencedor da polarização não se sinta o rei da cocada afrodescendente depois de assumir o cargo.

Outra coisa é tentar melhorar esse Congresso que já ganhou o merecido título de “o pior de todos os tempos”.

Ia deixar passar batido nesta semana, porque não estou mais conseguindo ouvir ou olhar pra cara desses candidatos, mas aí, numa dessas de rolar o dedo pela tela, me deparo com o Twitter do nosso ilustre presidente, mais uma vez tentando fazer gracinha para arrancar mugidos da plateia: “Lamento a oficialização da “linguagem neutra” pela Argentina. No que isso vai ajudar seu povo? A única mudança provocada é que agora há “desabastecimente”, “pobreze “ e “desempregue”. Que Deus proteja nossos irmãos argentinos e os ajude a sair dessa difícil situação”.

Eu não sou nem um pouco favorável à essa tal línguagem neutra porque não vejo o menor sentido nisso. Acho que as comunidades gays de todos os países têm sim de lutar pelos seus direitos e, sobretudo lutar contra o preconceito, mas, no meu entender, não vai ser com uma língua inventada. Se é só pra chamar a atenção i prifiri i lingui di i, ou até mesmo pea pelinpegua pedo pepe,

Mas o que me irritou nessa postagem do presidente, além de estar divulgando mais uma fake news (a embaixada argentina desmentiu que o governo tenha oficializado a linguagem neutra), foi querer fazer piada com o desabastecimento, a pobreza e o desemprego na vizinha Argentina, como se aqui fosse o país das maravilhas. Até comentei na postagem: “é o rote falande do rasgade”.

Como ele pode falar do desabastecimento dozotro se aqui faltam produtos nas prateleiras dos supermercados? (Ele nunca deve ter entrado em um, e se entrasse agora nem iria reparar que os corredores estão mais largos, o que significa que gôndolas foram retiradas pra não ficarem ociosas.) E pior, faltam remédios básicos nas farmácias, como antibióticos e até mesmo alguns analgésicos. Inclusive vacinas como a BCG contra a tuberculose aplicada nos recém-nascidos desde sempre, estão em falta nos postos.

Como ele pode falar da pobreza dozotro se aqui quase 28 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza e os que estão um pouco acima disso malemá conseguem sobreviver?

Como ele pode falar do desemprego dozotro se aqui ainda tem quase 11 milhões de brasileiros que não têm emprego, apesar de a taxa de desemprego ter caído para 9,8% no primeiro trimestre deste ano?

Então, senhor presidente, antes de fazer piadinha cozotro procure olhar para o seu próprio “rabe”. Vai descobrir que o sofrimento dos “argentines” não é nada maior que o dos “brasileires”.

author
Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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