Turbulências no Planalto

size_810_16_9_juca-temer-calheirosFoto: Arquivo Google

Com a abertura da caixa-preta da “grande herança maldita”, chega-se à conclusão que, no Executivo, com a troca do comando será possível colocar o país num novo rumo. Já no Legislativo, fundamental para se conseguir este novo rumo, só resta conviver com o grande número de deputados que deveriam estar afastados, incluindo o presidente até 2018, a partir das novas eleições e da vontade do povo (que, só para lembrar, tem reeleito nomes como Maluf, Jader Barbalho, Garotinhos, Cunha, Renan, Cabral, Hoffmann, etc…), para que se possa vislumbrar luz no fim do túnel, que não será o da locomotiva no sentido contrário.
O presidente em exercício Michel Temer venceu a primeira batalha no Congresso, aprovando a nova meta fiscal para 2016. Ao mesmo tempo, a presidente afastada, Dilma Rousseff, encontra-se numa situação difícil, pois não havia mostrado para o país o real tamanho do rombo, nem mesmo a metade. Os petistas tentaram obstruir a votação, mas não conseguiram esconder o bilionário déficit primário. Dilma destruiu o quanto pôde o Brasil, que levará décadas para se reerguer.
A turma do PT diz que a proposta que está sendo trazida estabelece uma norma de déficit é um cheque em branco para ampliar de maneira desregrada os gastos. Que moral o PT acha que tem para criticar a nova equipe econômica e falar em ampliação de gastos, se justamente a sua rigorosa contenção é prioridade do novo governo? Será que finge ignorar que foi sob seus desgovernos que o país tomou o rumo da quase bancarrota?
Alarmantes as intenções de Romero Jucá, reveladas no áudio de sua conversa com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Sua explícita intenção de propor um “pacto” para barrar a Lava-Jato e dizer que havia mantido conversa com ministros do Supremo para tratar do assunto tem a mesma gravidade moral que levou o STF a afastar Delcídio Amaral do Senado. Ejetá-lo da cadeira de ministro do Planejamento é o que Temer pôde e o fez, mas o STF pode e deve fazer mais.
Embora saibamos que o presidente interino, Michel Temer, escolheu bem alguns ministros (área econômica) e mal outras pastas, deveria, imediatamente, afastar do governo os envolvidos em qualquer esquema. Não pode ficar com estas pessoas sob pena de se tornar um governo sem credibilidade logo no início. Se por um lado está acertando, ou tentando acertar, a economia do país, com técnicos qualificados, na parte política está um desastre. Agora, aparecem gravações de Romero Jucá e Renan Calheiros em conversa com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Em um trecho, este diz que “não vai ficar pedra sobre pedra”, ou seja, a República desmorona. Isto quer dizer que todos estão envolvidos. Segundo ele, só sobrariam 5 deputados… gostaria de saber quem são estes?
Ninguém se esqueça que Romero Jucá é do PMDB, partido que só quer se dar bem, independentemente de quem seja o presidente. Jucá foi líder do PT e se deu bem na função. Não vejo novidade em ele querer cair fora da Lava-Jato. Afinal, está enrolado até os cabelos. Pena que ninguém do PT, agora, fale sobre isso. Afinal, os partidos assaltaram a Petrobras juntos e se lambuzaram de propina.

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