Que assim seja!

Cunha-anuncia-1Foto: Arquivo Google

Juro que tentei. Tentei bastante não escrever sobre a figura demoníaca e maquiavélica de Eduardo Cunha, mas não consegui. Acho-o uma pessoa muito inteligente, perspicaz, de uma frieza de espantar e, um dos maiores, senão o maior, conhecedor do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Eu digo isso sempre a meus amigos: “este deve ser seu livro de cabeceira”. Infelizmente ele não usa estas qualidades para o bem comum, só ao próprio, usando quem for e pisando em quem estiver à sua frente para atingir seus objetivos.
Envolvido na Lava-Jato, réu no Supremo e com processo de cassação em trâmite na Câmara, Cunha viu sua tropa de choque baixar as armas e o aconselhar a renunciar. Apesar de tratamento diferenciado no STF, Renan Calheiros, presidente do Senado, não deve estar imune a tal regra. Que caiam Dilma, Renan, Cunha, Lula e quantos mais mereçam, sejam de que partidos forem. E que fique registrado: defensor nenhum do impeachment está na rua em defesa de Cunha.
Eduardo Cunha tem um balaio de inesgotáveis artimanhas. A última que sacou para nos vender é digna de seu repertório. A renúncia ao cargo de presidente da Câmara é uma piada infame. Juridicamente, é um engodo, pois renunciar significa abandonar um direito do qual se é titular. Ele finge ignorar que o STF já o afastou do exercício da referida presidência. Pode-se abrir mão do que não se tem? Ah, sim, a semântica é diferente. Muda de “afastado” para “renunciado” (com o perdão dos filólogos por esta palavra)… mas esta nossa linguagem jurídica…
No jogo de cena montado para seu discurso, o estrategista profissional Eduardo Cunha, em um ato caricato e constrangedor, derramou lágrimas de crocodilo. Faltou o lenço, para completar e eternizar o comovido epílogo teatral. Agora, esperamos a sua cassação. Que seja eleito um presidente menos nocivo e com mais responsabilidades republicanas.
Mas o povo brasileiro está sorrindo. O ponto positivo é que se abre agora uma oportunidade para que a Câmara exerça o seu papel, escolhendo um nome que não se considere dono do Legislativo. E que ele também perca o mandato.
Esta renúncia é, sem sombra de dúvida, a melhor notícia dos últimos dias e representa um fio de esperança, uma luz no final do túnel, e indica que, finalmente, o país começará a sair do estado de letargia. Deverá ser eleito um novo presidente da Câmara para um mandato tampão, e o inominável deputado Maranhão voltará a se dedicar, na Câmara, às coisas relativas ao estado que o elegeu.
E assim, o Brasil poderá começar, ainda que lentamente, a entrar nos trilhos. Façamos uma corrente, dizendo a uma só voz: “Que assim seja!”

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