Napoleão e o semi-presidencialismo

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A ação da Polícia Federal no dia 4 causou enormes reflexos no país, aumentando a turbulência política. E deu, de mão-beijada, ao ex-presidente Lula a oportunidade de que ele estava precisando ardentemente: a de voltar a vestir a roupa de injustiçado e perseguido por ser um metalúrgico pobre. Ao proferir seu vociferado discurso, cercado de seus habituais apoiadores, o ex-presidente não teve a grandeza de clamar por um pouco de serenidade e cautela, nesta hora em que o país já vive uma difícil situação econômico-financeira. Ao contrário, incitou seus “comandados” a irem às ruas para movimentos contrários ao fato de ele estar sendo processado, não se importando com as consequências que podem advir desta convocação, assim como fez quando ameaçou convocar o exército armado do MST.

Dilma, por outro lado, defendeu Lula, dizendo que não seria necessária a condução coercitiva. Mas Dilma ouviu o que disse Lula ao se deparar com a PF na porta de sua casa? Ele disse que só iria algemado. Ou seja, quis intimidar a Polícia Federal, fazendo-se de vítima injustiçada. Lula teria que comparecer perante o promotor Cassio Conserino e não o fez, alegando que até poderia ir, mas daria depoimento a outro promotor. Como assim? Lula pode escolher quem quiser para lhe fazer perguntas?
A diferença da grandeza de um líder diz bem o destino que nos persegue. Mandela, mártir da luta democrática sul-africana, ao sair da prisão após 27 anos, utilizou uma cadeia de TV e solicitou ao povo que não buscasse o caminho do ódio. Martin Luther King, no grande comício na Av. Pensilvânia, fez a mesma coisa, apelando que não houvesse violência. O caricato líder do PT, por ter passado quatro horas na Polícia Federal prestando informações em ambiente refrigerado, vira jararaca (sem rabo) e convoca a militância para ir às ruas defendê-lo.
Diante de tudo isso e no meio destes acontecimentos, a presidente Dilma convida oficialmente o ex-presidente Lula a tornar-se ministro de seu governo, chefiando a Casa Civil, no lugar de Jaques Wagner, que assim, iria preencher o buraco no Ministério da Justiça que está acéfalo por mais uma nomeação desastrada (que assessoria!!!) deste governo.
Este fato, evidentemente, teria o óbvio intento para Lula, de driblar o curso natural da Justiça fugindo das garras do Juiz Sergio Moro e do MP de São Paulo por adquirir o foro privilegiado. Agora,  imaginem só a cena: Dilma, presidente… Lula, Ministro-chefe da Casa Civil (leia-se Primeiro Ministro) e Jaques Wagner controlando a PF no Ministério da Justiça… estaríamos implantando o regime semi-presidencialista, onde o presidente quase não manda e o parlamento também não, quem mandaria seria a Casa Civil, com a PF manietada… nem na Venezuela e Cuba em seus piores tempos…
No entanto, há dois fatores que, acredito eu, impeçam o ex-presidente de aceitar esta benesse: o primeiro deles é que Lula estaria com foro privilegiado, mas seus familiares, inclusive D. Mariza e filhos, não, ou seja,  continuariam “sob vara” da Justiça comum; o outro é a característica de “julgamento definitivo” no STF, ou seja, não há grau de recurso, salvo por embargos de declaração – que não suspendem e nem alteram penas – para sentenças do Supremo, o que o impediria de recorrer, no caso de decisão desfavorável. Há que se pensar também que o clima no STF contra o ex-presidente e seu partido já não é dos melhores, haja vista as últimas decisões e declarações de alguns ministros, mesmo aqueles últimos que foram nomeados para “proteger o PT”.
O fato de Lula estar articulando nos bastidores e de Dilma ter lhe oferecer um ministério já é suficiente para duvidarmos ainda mais de sua inocência. Se ele fosse mesmo inocente, não estaria tão preocupado com a Lava-Jato. O Brasil não pode aceitar que a presidente Dilma frustre o andamento da Lava-Jato. O governo deixa transparecer que não quer lutar contra a corrupção e, como os outros, fará de tudo para escondê-la.
A modéstia de Lula, afirmando que se for preso vira herói e se o deixarem solto vira presidente, faz Napoleão parecer aprendiz.

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