Mercado de tornozeleiras eletrônicas dispara no país

tornozeleiras
Minha coluna já estava escrita desde 4ª feira e não tive tempo para atualizar o assunto. Deveria falar da eleição para a Presidência da Câmara e como isso afetaria nosso futuro imediato e o mal ou o bem que poderia fazer ao governo Temer, mas eu já tinha escrito sobre as prisões da mais recente fase da Lava-Jato e suas prisões e, infelizmente, as solturas dos envolvidos. Então, vamos lá:
A cada manhã, ao lermos os jornais, nos deparamos com mais uma operação da PF prendendo uma dezena de malfeitores. Dias depois, os mesmos são soltos por ordem judicial de Instância Superior. Chegamos a duas tristes conclusões: o país está repleto de bandidos de colarinho branco e a Justiça não inibe tais procedimentos. A solução é colocar bola de ferro no lugar de tornozeleiras. Assim será mais garantido que não fugirão e se sentirão pelo menos incomodados. E o custo será bem menor.
Acreditar que uma reforma política ou ações duras na economia nos colocará no rumo certo é engano imperdoável. Nada funcionará a contento enquanto a Justiça continuar morosa, desigual e, por vezes, conivente com interesses de contraventores. Hoje, o que temos são leis interpretadas em favor, sobretudo, daqueles que dispõem de recursos financeiros infindáveis. Uma reforma do Judiciário em todos os níveis é indispensável, digo mesmo, urgente. Não podemos continuar expostos a um sistema inquestionavelmente falho, que permite prosperar a impunidade.
Um dos principais responsáveis pela deprimente situação em que nos encontramos é o sistema Judiciário brasileiro que, através de decisões esdrúxulas, decidem a um só tempo prender, soltar, prender e soltar marginais que, na certeza da impunidade, entram em camburões com sorriso estampado na cara, rindo de todos nós. É estupenda a desfaçatez dos atores.
Afinal, que justiça é essa? A Polícia Federal prende. Um desembargador solta. Um outro desembargador prende novamente e outro solta de novo.
Assim funcionam as coisas: decretada a prisão preventiva de vários envolvidos na Saqueador. Juiz determina que os envolvidos passem à doce prisão domiciliar (em mansões e prédios à beira-mar), mas eles deixam de ir por falta de tornozeleira. Juiz que transformou a detenção em prisão domiciliar acaba se declarando suspeito, porque um dos advogados na ação é seu advogado particular. É substituído e é determinada a volta à prisão comum dos envolvidos. A seguir um ministro do STJ solta todo mundo, inclusive o Cavendish, da Delta e o Cachoeira, contraventor, velho conhecido da Justiça.
Vejam bem, os cinco detidos pela Saqueador tiveram seus alvarás de soltura suspensos, pela falta de tornozeleiras eletrônicas no RJ. Em meio a perversas consequências dessa crise econômica sem precedentes, ao menos a falta desse item de primeira necessidade contra criminosos é recebida pela sociedade com algum consolo. Puro surrealismo.
Enfim, uma notícia que pode indicar o início da recuperação da economia: “Mercado de tornozeleiras eletrônicas dispara no país.” Seria engraçado se não fosse trágico. Acorda, Brasil!

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