Tito e meu primeiro vira-lata


Do nada, uma e meia da madrugada do último domingo antes do início do carnaval e, sem mais aquela, sem estar doente nem nada e sem ter idade para isso, meu scottish morreu!

Tremenda peça nos pregou, assim, sem mais aquela, depois de 11 anos de convivência diária – para quem não sabe, scottish é o cachorro pretinho do rótulo do uísque Black and White. Pelo que sei, ele nunca foi “o” whisky sensacional, de moda, mas parece que é muito gostoso…

Digamos que gostoso eu sei que o cachorro o é: eu jamais usaria essa qualidade em relação a um uísque, acho todos detestáveis – o que seria do amarelo, não é mesmo?

Voltando ao assunto, tive cães e gatos durante toda a minha vida; bem pequena, tive até um jabuti e uma cobaia, logo que meus pais se separaram. Eu e minha mãe fomos morar em um apartamento que tinha uma espécie de quintal ao ar livre, para se estender roupa, então papai aproveitou e me deu dois bichos pequenos, assim eu não ficaria com saudades dos dois vira-latas que eu tinha à época, o Duque e a Daisy…

Voltando ao assunto Tito, inspiração inclusive para algumas crônicas, encontramos nosso bichinho caído no jardim. Fernando, meu filho, o pegou no colo e ele morreu pouco tempo depois, em nossos braços, eu tentando fazer-lhe uma massagem cardíaca… Dúvida atroz: do que ele morreu? A morte se deu tão em seguida que não deu para achar um diagnóstico. Ficamos, os três, inconsoláveis…

E vem aquela parte da dor que é tão grande onde alguns dizem que “nunca mais quero outro animal, a gente sofre muito!” E é verdade. A gente sofre muito; mas e o amor incondicional, a companhia, os momentos divertidos e aqueles comoventes? Abre-se mão de ter um outro animal porque quando ele morre é doloroso? Não. Definitivamente não! Acostumada com bichos desde sempre, tenho para mim que eles nos dão muito mais do que damos a eles, ainda que muitos os tenham como filhos – o que não é meu caso.

Tito era um membro da família e chamava-se Tito Belinky. Tinha direito a muito amor e a broncas homéricas, sempre que aprontava alguma – algo raro, devo admitir! E, porque já não sou jovenzinha, eu pensava cá comigo que meu próximo bicho deveria ser de meia idade, assim, se eu morresse antes dele, não deixaria o abacaxi para outra pessoa.

E, aí, como dói acontecer, nossa veterinária me manda a carinha acima dizendo: está aqui no soro porque está com diarreia, foi abandonado em uma escola, umas professoras o resgataram e trouxeram aqui para adoção; é bem novinho, deve talvez ter um ano e não vai crescer mais. O que a senhora acha?”
Scoobi Doo – meu filho deu o nome – está aqui há duas semanas, apronta todas, em 10 minutos pela manhã, me põe a nocaute: “Scoobi, vem cá! Scoobi não! Cospe já! Scoobi…”

Pois é: você não escolhe, mas eles a você…

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