Resgate urinário

Até hoje assino o jornal O Estado de São Paulo. A assinatura é digital, ou seja, só recebo jornal “físico” nos finais de semana, coisa que já curti muito mais porque hoje, graças à pandemia, sou obrigada a ler “jornal amanhecido”, ou seja, recolho da porta no dia, mas só vou poder folheá-lo, no dia seguinte…

Dos jornais de sábado e domingo, tiro a página das palavras cruzadas, leio o editorial e as colunas que me interessam mais, guardando o restante porque tenho duas gatas muito velhinhas que, com alguma frequência, “erram a pontaria” nas caixas de areia e… acertam o jornal!

Nessa coisa de forrar embaixo das caixas de areia, três por dois me pego inclinada, numa posição bem pouco confortável, com as costas paralelas ao chão, lendo alguma coluna que não vi, algum assunto que me passou despercebido. Recolho o material da “segunda triagem de leitura” (ainda seco), leio e devolvo para debaixo das caixas de areia.

Aliás, essa coisa de ler notícias amanhecidas sempre foi uma constante em mim. Estou sempre “pulando de galho em galho”, fazendo mil coisas ao mesmo tempo, raramente paro, sento e leio “de fio a pavio” (como se dizia antigamente) alguma coisa, em especial noticiário político…

Mas, é claro para mim que há assuntos, opiniões, artigos que não perdem a atualidade nem o interesse, permanecem engraçados, nostálgicos, emocionantes e inteligentes como no dia em que foram escritos, sabe-se lá quando!

Domingo passado, selecionei duas crônicas do “resgate urinário” cujo título era bem mais interessante do que o conteúdo: foi bom para me lembrar que, em época de eleição, essa possibilidade de engano é frequente!

Uma das crônicas falava de uma mulher que ficou profundamente deprimida ao se ver no espelho com os cabelos grisalhos e acabou indo ao cabeleireiro pintar a juba, saindo de lá mega feliz. Imediatamente, lembrei-me do filme “O Náufrago”: não poder depilar o sovaco, sempre me pareceu bem mais grave do que os cabelos grisalhos da crônica!

Algumas vezes escolho a dedo fotos que salvarão meu tapete da falta de pontaria e fico feliz imaginando que, se fosse no olho da criatura, seria perfeito – aliás, na semana que passou, a bem do serviço público, o ideal teria sido diretamente na boca mesmo, que me perdoem a falta de higiene!…

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