O Exterminador do presente

Parece bíblico o que está acontecendo conosco e com o mundo todo…

Ainda que minha intimidade com a Bíblia não seja das maiores, é fato que nela existe um sem número de casos onde as criaturas começaram a “se achar”, a se sentir a última bolacha do pacote, a cereja do bolo, acreditando que tenham, de fato, sido feitas à imagem e semelhança de Quem manda, de fato, no pedaço.

Aí, chega o momento em que Ele conclui que “Agora chega!” e lá vamos nós, contar com quantos paus Ele faz uma canoa… algo que a gente pensava saber, mas vai descobrir que esse truque não nos foi ensinado…

Na medida em que não nos importamos com o próximo, dado que “quem pode mais chora menos”, e só olhamos para nosso próprio umbigo – hoje transformado numa tela de celular, sem o qual não temos mais como viver. Ao que parece, não foi bem isso que Ele imaginou: a outra parte do ensinamento não tem sido muito utilizada: “amar ao próximo como a ti mesmo”, e aqui seria mais do que apenas dar um telefonema, “hoje não vai dar…”, “não, não precisa fazer aquela torta, temos um jantar…”

Surge, do nada, uma peste como aquelas bíblicas. Mas esta é, especificamente, exterminadora de velhos! A quarentena mostra que eles deixaram de ter serventia: não podem mais ficar com as crianças, buscá-las na escola, levá-las aqui e ali e depois para a casa deles, onde banhadas, jantavam, punham o pijama e era só os pais buzinarem, dizerem um “oi” rapidinho de dentro do carro e levá-las…

E a lembrança do que foram os avós, de como se dedicaram aos nossos pais e depois a nós, do prazer que dava ir dormir na casa deles, fazer um mundo de estripulias –  porque lá podia tudo  ou quase tudo – eles sempre encobriam nossas besteiras ou se “esqueciam” de contá-las… A tudo isso só daremos valor quando perdermos e, agora, temos que viver essa parte da lição e enterrá-los, porque nem vai dar para ir vê-los, têm que morrer sós por conta da praga…

Vai ver que estou delirando – tomara que esteja – mas, novamente, quem viver, verá…

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