Mudanças

Estamos em mudança, de mudança, mudando o tempo todo mesmo parados, ou presos dentro de casa.

Aliás, que estranha essa colocação: prisão domiciliar. Nossa casa deveria ser um lugar bom de ficar e não uma prisão; estar nela o tempo todo, de fato, pode cansar; mas, é o seu lugar, aquele lugar que contêm suas coisas, seu cheiro, as comidas que você gosta, coisas que você comprou ou ganhou e curte…

Mudamos de hábitos, de valores, de humores, mas não sei se mudamos o suficiente para o tamanho da mudança mundial. Muitas pessoas persistem na vã expectativa de que “a pandemia passe” e que tudo “volte ao normal”.

Normal. Mas, a qual normal se referem? Normal para quem? E há aqueles que agem como avestruzes: se eu enterrar a cabeça num buraco, estarei suficientemente protegido e vou poder tirar a máscara. Qual delas? A de sempre, aquela que usávamos antes mesmo da pandemia e que nos protegia de tudo, desde mau olhado a ser reconhecido por quem não nos esquece e não por boas coisas que fizemos?

Mas, eu mudei; mudei latu sensu; mudei de casa, mudei de município, mudei de vizinhança, mas sigo sendo uma pessoa que se arrepende de pouca coisa, que não se fustiga pelos erros que cometeu.

Errei bastante sim, mas sempre procurei dar o meu melhor e tive a sorte de ter podido fazer escolhas de acordo com minha cabeça, e a vantagem disso é não ter ninguém para responsabilizar pelo que não deu certo… e curtir aquilo que deu!!

Descobri que não preciso de dois terços do que estava nos 300m² em que vivia: ouvi uma vez que se não mexemos em alguma coisa por mais de um ano, podemos nos desfazer dela porque não nos é essencial nem nos fará falta, o que é a mais pura das verdades…

Descobri também que tenho que pôr em uso as coisas bonitas que tenho e curto. Não devo guardá-las para uma “ocasião especial” porque hoje, estar vivo e com saúde já é motivo mais do que suficiente para comemorar!

Os cristais, as roupas, os sapatos… Nem me lembrava de vários deles e se não fossem todos diferentes, eu seria uma centopeia – sei lá por que, penso que uma usando sapatos os teria todos iguais – que monotonia, meu Deus!

Mudei e tenho menos certezas do que tinha o que é maravilhoso e reconfortante!

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