Lembra quando?

Imagem: Google Imagens – Pinterest

Ao ver palmas (flores com o mesmo nome em latim, para quem é muito jovem para ter visto) num jardim de uma instituição no interior de São Paulo, lembrei que elas eram consideradas flores para colocar em túmulos, assim como copos de leite. Era o máximo dar e receber flores, e parávamos para adivinhar a intenção de quem as mandou de acordo com a “tabela de significados” das cores: vermelho paixão, rosa, amizade…

Lembra quando a gente dava – e recebia – de presente, discos? Ir às lojas especializadas para verificar as novidades era um passatempo…

As rádios recebiam as novidades antes das lojas e corríamos com o gravador de fita cassete para gravá-las – e, de repente, a rádio colocava, no meio da música: “Rádio Tralalá, sua amiga de todos os dias” e lá ia pelo ralo a tentativa de aparecer com a “música exclusiva”!

Lembra quando viajar de avião era para poucos? À época, a Varig “tomava conta do pedaço” e só se podia viajar de posse dos bilhetes de ida e volta, cobrados a peso de ouro – quase três vezes o valor de uma passagem comprada por um estrangeiro em qualquer outra companhia: pagávamos o preço do monopólio…

E o engraçado é que a gente se paramentava toda para ficar 12 horas sentada numa poltrona incômoda – que mal reclinava – levando de casa, um sem número de malas cheias de roupas que mal eram usadas!

Lembra quando os cinemas ocupavam uma página inteira do jornal com seus endereços, telefones e horários?

Havia uma enorme quantidade deles que tinha sessões contínuas a partir das 14h até às 22h em dias de semana. Na sexta-feira e no sábado, havia também sessão à meia-noite, já que a gente podia dormir até mais tarde no dia seguinte; ou era assim que eu interpretava essa “liberalidade”!

Ah! E, se você chegasse atrasado, podia ficar para ver o pedaço que havia perdido na sessão seguinte e, um solícito “lanterninha” acompanhava os retardatários a um lugar livre, para que não ficassem em pé, atrapalhando todos que estavam assistindo o filme…

Lembra quando os espetáculos estrangeiros faziam a glória do Teatro Municipal, onde só se entrava muito bem vestido e produzido; homens obrigatoriamente de terno e gravata, mulheres em trajes (quase) a rigor. Nesses espetáculos, chegava-se bem antes da hora, para poder “passar em revista” as toaletes das senhoras elegantes de São Paulo. E, claro, alguns baluartes ao mau gosto, o que nos divertia à larga!

Lembra quando, em São Paulo, a classe média costumava ser sócia de um clube como o Clube Pinheiros, o “Club Athlético Paulistano”, ou mais “populares”, como o Tietê, o Espéria, o Palmeiras?…

De qualquer modo, todos eles tinham piscina, uma vez que, para ir à praia, só “viajando” para Santos ou, com maior sofisticação, para Guarujá.

E nós brincávamos que a praia era dividida em “Guarujacó”, para onde iam os judeus endinheirados, e “Guarujafé”, para onde iam os “turcos”, ou os descendentes de árabes também endinheirados…

Não saber da vida de todos no mesmo minuto em que os fatos aconteciam nos levava a ler revistas de “novidades” de artistas locais ou estrangeiros em revistas como O Cruzeiro e Manchete, além daquelas de fofocas, tipo Revista do Rádio, Intervalo, etc…

Não tínhamos celular e o telefone fixo era objeto de desejo de qualquer pessoa, dado que, além de caras, as linhas eram raras: se fosse para ficar na fila, podíamos esperar por anos a fio…

Lembra do telegrama? Do fax? Da primeira máquina de escrever elétrica? Da primeira panela com “Tefal”? Caramba, como sou antiga!

Os jovens de hoje terão mais dificuldade em se lembrar de mudanças dada a velocidade com que ocorrem, aparecem numa semana e, se a gente bobear, caem em desuso e desaparecem na semana seguinte…

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