Fiquei órfã

No final de semana passado, fiquei órfã.

Órfã de maravilhosas lembranças de adolescência, de um herói lindo, másculo, elegante, cínico, valente, mulherengo… nada “politicamente correto” – também porque, na época, não havia besteiras do gênero e não me fizeram a mínima falta!

Sean Connery, um ícone inesquecível – de meu ponto de vista, o 007 de Ian Fleming ,primeiro e único. Os outros todos, por melhor que fossem, não passaram e passam de meros substitutos… Seu herói não era corretíssimo nem tinha atitudes irrepreensíveis e Sean Connery se amoldou à perfeição…

Assim como ele foi o único 007, foi também um extraordinário ator, capaz de qualquer tipo de papel, com excelência.  Não importava se era papel principal ou coadjuvante, fato era que esperávamos sua aparição e nos deleitávamos com ela!

Li que sua segunda mulher, com quem ficou casado por mais de 45 anos, considerava-o “o homem dos sonhos” e que ao conhece-lo – encontrou a porta de seu quarto aberta e ele nu, em cima da cama, lendo. Entrou no quarto, arrancou as próprias roupas e com um cinto resolveu aplicar-lhe uma surra, provavelmente por ser tão lindo e se encontrar tão… despojado!

Li também que sua primeira mulher o considerava um monstro, guardou enormes mágoas de seus 11 anos ao lado dele e até escreveu um livro a respeito.

Eventualmente, Sir Sean Connery acreditava que uma mulher, podia fazer por merecer um tapa – não um soco nem uma surra, mas um tapa, por provocar além da conta – “coisa que as mulheres sabem fazer com maestria”…  Achei linda essa declaração? Não, mas também não lhe dei maior atenção.

Consta também que tivesse um gênio difícil e, quando, recentemente, Spielberg o convidou para encarnar novamente o pai de Indiana Jones, ele leu o roteiro e achou sua parte curta demais. Diante da recusa do diretor em transformá-la numa parte maior, decidiu que não faria e sugeriu que, no episódio, matassem o personagem…

Comportamento irrepreensível jamais foi característica de atores e atrizes e eu teria muita dificuldade em julgar se foi pior naquela época, nos idos dos anos 70 ou agora, já que a mediocridade que hoje impera não permite comparações válidas…

Fato é que, termino como comecei: estou órfã! Órfã de um herói como os que imagino como tal e de um estupendo ator, que deixará uma marca indelével de sua excelência: seu 007, jamais igualado por ninguém!

E pensar que ele considerou esse papel um estigma que o acompanhou pela vida toda…

E acompanhará por muito, muito tempo ainda, Sir Sean Connery, talvez, para todo o sempre!

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1 Comentário

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    Rachel Alkabes , 7 de novembro de 2020 @ 23:57

    Que artigo inteligente, porque é exatamente isso que eu sinto e sei, inclusive, sobre a mediocridade que hoje impera. PARABÉNS

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