Exame coletivo de fezes

Há experiências na vida da gente que não dá para esquecer.

Provavelmente, pelo momento que vivemos nesta que já foi a nossa pátria amada e que, agora, é só “salve, salve”, foi que me lembrei de quando minha médica cismou que eu tinha algum bichinho resistente e sub-reptício na barriga e quis que eu fosse fazer um exame de fezes.

Quem quer que esteja lendo – e terá sido certamente por curiosidade – deve pensar “mas, que mau gosto” e eu esclareço que não se tratava de um exame comum, mas de um bem… sui-generis…

Quando ela me avisou das características do local, eu quase desisti: a razão primordial desse laboratório ter sucesso era a rapidez com que o “produto” era encaminhado para exame; leia-se imediatamente após sua “produção”.

Quando lá cheguei, era possível encontrar o laboratório pelo odor espalhado pelo andar; mais, quando o “produtor” do exame era muito pequeno ou tinha até 10 anos, era colocado em uma sala especial, que me pareceu enorme, ao redor da qual estavam outros “produtores” – um “exame de fezes coletivo”, cada qual devidamente sentado em seu penico!

Potty training class at the Teplice Orphanage in northern Bohemia Friday Oct. 23, 1998. Many of the prostitutes who work near Teplice which is near the Czech-German border, drop their unwanted babies at the orphanage. A recent change in Czech law has made it much harder for orphans to be adopted. (Photo by David Brauchli)

Inacreditável! Mas foi isso mesmo: o local era um bocado estranho, na Rua Sete de Abril, quase esquina com a Rua Nova Barão, centro de São Paulo, num daqueles prédios que davam a sensação de serem só prédios de escritórios…

A fama desse laboratório era excelente, tanto que, de fato, conseguiram detectar qual era o problema e foi possível debelá-lo.

Essa era uma época em que muitos dos processos hoje utilizados não existiam, e o sucesso de uma pesquisa estava exatamente na velocidade com que ela acontecia. Tosco? Sim, é o que parece, mas certamente engenhoso e digno de nota!

Quando o presidente da República esteve em São Paulo com suspeita de obstrução intestinal, se este laboratório ainda existisse, seria perfeito para o caso dele: teria certamente evitado que essa obstrução tivesse ido para a cabeça!

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *