Considerações em torno das “diferenças”

Durante a mudança de canais efetuada por meu marido, prática sobejamente conhecida por toda mulher que assiste televisão com a cara metade, de repente tive a oportunidade de assistir a um programa com uma filósofa e pensadora de nome Judith Butler, no Canal Brasil – onde fixamos âncora, naquele momento!

Entrevistada por dois representantes do grupo LGBTQA+ (cuja limitação intelectual saltou à vista em comparação com tal expoente) ela também, uma representante e ativista do grupo, se destaca pela tranquilidade e conhecimento de causa. Carrega consigo também o fato de ser judia, segundo ela, outra razão de se sentir discriminada.

Que imenso prazer ouvir uma pessoa tão conhecedora do problema defendendo pontos de vista até então totalmente em sossego dentro de mim, que banho de cultura e razoabilidade em suas colocações!

Sempre achei, dentro de mim mesma, que a vida pode ser profundamente dura para todos, mas, muito mais para os assim chamados “representantes de minorias” – sendo que o entendimento de minoria, no caso dos negros, por exemplo, é uma falácia dado que, ao menos em nosso país, eles são maioria!

Tenho amigos gays e, de meu ponto de vista, acho que eles têm, com frequência, muito desenvolvido, um lado artístico, de bom gosto, que os distingue dos heterossexuais.

São muito sensíveis e eu diria que não por nada muitíssimos artistas, pintores, escritores foram – e ainda são, não sejamos hipócritas – altamente discriminados por isso (aproveito aqui para recomendar, com todas as letras, o filme A Garota Dinamarquesa, que trata do tema, com uma delicadeza inenarrável).

Odeio a conformidade com o “politicamente correto” e nada do que defendo aqui tem essa bandeira – menos ainda, a abjeta bandeira bolsonarista, que fique bem claro – mas confesso que tenho sentido, como branca que sou, descendente de arianos e heterossexual (sem dúvida um acaso que me facilitou bastante a vida) um certo incômodo com a insistência em se colocar, na maioria das vezes de modo postiço e forçado, representantes de outras “culturas”, chamemos assim, eufemisticamente, a todos que não se encaixam no “meu perfil”…

De um perfume a uma cerveja, de um cartão de crédito a um curso de idiomas, todos resolveram inserir representantes gritantemente panfletários em suas propagandas, quer sejam elas outdoors, no rádio ou na TV.

Quero crer que seja esta a única maneira de fazer uma inclusão, forçando a barra, por assim dizer, e fico me perguntando qual será o resultado disso no devido tempo… suponho que vamos chegar lá, e convido quem me lê a conjeturar: se com tão pouca “inclusão” eu já estou me sentindo sufocada – ressalto que é pela obrigatoriedade taxativa – como deverá ter sido e é para os representantes dessas “minorias”!…

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