Coisas da Pandemia

Não tenho nada a reclamar deste período de pandemia, provavelmente porque muito pouca coisa mudou na minha vida desde seu “advento”.

Trabalho em casa, meu marido também, saio relativamente pouco porque as limitações financeiras já não permitem idas regulares a cinemas, teatros e, principalmente, a restaurantes, uma de minhas diversões favoritas. Com a maior parte dessas possibilidades fechadas, mais uma razão para não sofrer desmesuradamente!

Há tempos deixei de curtir espaços lotados de gente, razão também de ter “descurtido” viagens longas que me obriguem a tomar táxis, ônibus, aviões e a ficar hospedada em lugares que não curto – porque os que curto custam uma verdadeira fortuna, simples assim.

Andar de celular permanentemente na mão não faz parte do que entendo serem férias em locais curtidos e andar grandes distâncias já não é “um barato”: nesse sentido, a idade traz limitações para um ou para outro do casal e aqui somos um casal.

De qualquer forma, jogamos cartas, conversamos, damos risada, vamos juntos ao supermercado – sempre de máscara, que odeio mas é o que temos – nos conhecemos suficientemente bem para relevar as chatices de um e de outro e não criar “cheiro de atmosfera”, ou mal estar desnecessário – acho que tudo isso só vem com o tempo, embora seja até relativamente simples: se não quero ser incomodado, procuro não incomodar e, quando não é possível, que pena, vamos rosnar um pouquinho e depois, tudo bem…

Sempre adorei bichos de modo geral e não posso me imaginar sem eles em nenhuma circunstância. Antes dessa pandemia começar, adotei um vira-lata que é a sorte grande na loteria: querido, alegre, simpático, amoroso, recomendo a todos, indistintamente, para saber o que é amor, carinho e companheirismo de fato, de um ser vivo que ama você “porque sim”!

Gosto de plantas e lhes dar atenção é também desanuviar a cabeça, acompanhar o crescimento delas, uma distração.

Sinto uma falta terrível de beijar e abraçar as pessoas que curto muito e essa é uma perda efetiva: não poder ver, visitar, agarrar, dar uns beijos e uns amassos… Sei lá se os jovens também vão sentir essa falta, o certo é que as telas para mim não substituem o olhar nos olhos e abraçar!

Tenho vizinhos ótimos e vizinhos nem tanto. Um dos ótimos mandou aqui em casa – ela é judia ortodoxa, mas sabe que  estou há anos luz disso – o filho do rabino da sinagoga que ela frequenta, com mais três outros jovens estrangeiros em “Chanucá” ou a assim chamada, “Festa das Luzes”, cuja história é muito bonita e vale a pena conhecer (eu, em todos esses anos, nunca tinha tido a curiosidade, só sabia que era a festa judaica que coincidia com o Natal cristão).

Não me sinto “rebanhável”, ou seja, sem fazer juízo de valores, sou uma pessoa sem fé; faço o meu possível, mas não creio que o que estiver “reservado para mim” vá deixar de acontecer ou ao contrário, se eu rezar. Mas ter recebido esses jovens em minha casa trazendo “as luzes” e me agradecendo por recebe-los foi algo muito, muito lindo, gratificante!

De resto: eu não gostaria de ter 20 anos hoje, o mundo do jeito que se mostra está se tornando um lugar mais inóspito do que foi desde sempre e irá exigir muito de todos, em especial dos que não acreditam que “sejamos todos iguais”.

Se não formos todos vacinados, os que não o forem serão um perigo ambulante. Assim, se um país pobre não puder comprar as vacinas, teremos que colaborar para que seus habitantes a recebam e sejam vacinados como todos.

Eu também não acredito que sejamos todos iguais, mas é líquido e certo que todos devemos ter oportunidades iguais: aproveitá-las é problema de cada um, de sua capacidade, tenacidade e discernimento.

Se todos estamos sujeitos a morrer de COVID-19, devemos tomar a vacina e, se não quisermos, teremos que nos sujeitar às limitações que tal atitude irá necessariamente gerar: é uma questão de escolha.

O mundo jamais voltará a ser o que já foi ou o que era – feliz Ano Novo…

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