Ainda ontem, Lula ligava para Wagner Moura para cumprimentá-lo pelo prêmio recebido em festival de cinema por filme que fala da repetida cantilena dos ditos cineastas brasileiros nos últimos anos: a Ditadura brasileira de 64.
No ano passado, a história se repetiu, entre abraços e beijos com Fernanda Torres pelo prêmio alcançado em mais um festival de cinema, em filme que trazia como recorrente tema a ditadura militar, talvez o único que a certa turma interesse pelo lucro certo nas bilheterias brasileiras.
Se não está falando de pobreza, está falando da lucrativa ditadura de 64. Eis o cinema brasileiro realizado pela turminha que lucra com seu ideal há décadas. A esquerda e seus fetiches.
Pois bem, vamos aos números:
Por todo o longo período em que o regime de exceção vigorou no país, de 1964 a 1985, a Comissão Nacional da Verdade apresentou os seguintes dados:
– Entre mortos e desaparecidos em 21 anos, 434 pessoas;
– Em torno desse número reduzido de baixas para um período de mais de duas décadas, um enorme auê se formou e se perpetuou até os dias de hoje, com os conhecidos lucros econômicos que
proporcionou a milhares de pessoas, e a outras milhares que não parecem estar dispostos a largar um osso saboroso e interminável;
Tudo é motivo para hastearem a bandeira do tema ditadura, de se vitimizarem em grau máximo como traumatizados eternos de um tempo em que a maioria nem viveu e do qual porcamente sabe do que realmente ocorreu, de posarem de bravos defensores de uma Democracia que nem mais existe, mas que insistem em defender feito aloprados inúteis tentando lucrar com um tempo que se foi.
Já a respeito das 119 mortes provocadas por ações de guerrilheiros contra o Estado brasileiro, nada se fala, riscadas para sempre das páginas da História, talvez para não manchar a imagem de eternos coitadinhos que insistem em preservar.
Mas é justamente essa turma que é a verdadeira farsa, que posa de virtuosos preocupados com as vítimas da “sua” ditadura, que se cala de maneira cínica diante de uma ditadura real, que se instalou no Irã no ano de 1979, com a chegada da Revolução Iraniana, deposição do Xá do Irã e ascensão dos autocráticos Aiatolás, que passaram a tratar as mulheres, de maneira especial, como cidadãs de segunda classe, discriminadas legal e socialmente, com base na lei islâmica.
Nas últimas semanas, enormes protestos tiveram início naquele país, causando mais de 2000 mortos e 11 mil presos em poucos dias, e com o anúncio no dia de hoje que as execuções desses prisioneiros terão início amanhã, e o primeiro a ser assassinado pelo regime iraniano será o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, que não teve direito à defesa ou processo legal.
E aí, pergunto, onde estão as feministas, todas sempre alvoroçadas por um nada, onde estão todos que saíram às ruas contra Israel e a favor da Palestina, e navegaram em barcos até a região, brincando de legionários e agora se calam, em silêncio ensurdecedor?
O governo Lula, aliado dos piores ditadores em todo o mundo, e aí se inclui o Irã, aliado de primeira hora, não divulgou nota nem fez declaração público a respeito desse verdadeiro massacre do povo iraniano por ditadores sanguinários, cruéis, desumanos, seguindo em silêncio.
Com fatos atuais e reais, Lula se omite.
Para parabenizar um filmeco oportunista e seu diretor e ator militantes, é querido pra cá, é querido pra lá, é ditadura nunca mais, é verba federal amiga jogada ao vento para disseminar narrativas tendenciosas facilmente desmontadas ponto a ponto, é a farsa costumeira de quem se aferra ao poder a todo custo e que para isso conta com o precioso auxílio de uma classe artística deplorável, que aceita o triste papel de parceiro estatal, de assessoria do equívoco, esquecidos que a Arte que busca reconhecimento oficial e apoio financeiro do governo, vende a alma em troca de segurança e status, reprimindo o verdadeiro gênio artístico.
A verdadeira arte deve estar em constante oposição ao “status quo” e aqueles que a ele se aliam, traem a integridade e a sua função subversiva.
O mundo é um circo, mas aqui estarei sempre a postos para desmontar o ridículo espetáculo.



