Temer brinca com fogo

fogo_1Fogo (Foto: Arquivo Google)

Deus – ou a Lava-Jato; ou a Procuradoria-Geral da República; ou ainda o Supremo Tribunal Federal – está sendo bondoso demais com o presidente em exercício Michel Temer ao dar-lhe uma chance atrás da outra para que se livre de más companhias sem sofrer maiores danos em sua imagem.
Temer hesitou mais de 10 horas para demitir o senador Romero Jucá (PMDB-RR) do Ministério do Planejamento. Jucá foi a primeira vítima das conversas gravadas clandestinamente pelo empresário e ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, um dos caixas dois do PMDB que finalmente resolveu delatar.
Jucá deu uma mão forte para salvar Temer de desgaste. Ao concluir que não haveria mais jeito de continuar ministro, foi para o corpo a corpo com jornalistas, assumiu a responsabilidade por seus atos e anunciou que voltaria ao Senado. E que ali, na condição de senador e presidente do PMDB, seguiria ajudando o governo.
Foi um alívio para Temer e os ministros com gabinete no Palácio do Planalto. Com a informação de véspera de que ontem seriam reveladas outras conversas gravadas por Machado, Temer viveu longas horas de aflição. E se o conteúdo delas fosse capaz de implicar seriamente alguns dos seus auxiliares ou aliados?
Implicou os aliados Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e o ex-presidente da República e presidente de honra do PMDB, José Sarney. Os dois sairão do episódio com graves escoriações. Mas, por ora, não tão graves que possam ameaçar a fragilidade de um governo provisório e montado às pressas.
Deus – ou a Lava-Jato; ou a Procuradoria-Geral da República; ou o Supremo Tribunal Federal – dará uma nova chance a Temer? A sorte, um dia, sempre acaba. Por que Temer não se antecipa e afasta do governo e de suas proximidades certos nomes conhecidos por significarem encrenca na certa?
É isso o que Temer está sendo aconselhado a fazer por políticos experientes e sem envolvimento com bandalheiras. E não apenas por eles, também por amigos. A delação de Machado, amparada por algo como seis ou sete horas de gravação, além de documentos, parece destinada a provocar mais combustão do que a de Delcídio Amaral.
Há outras delações no forno, como a de grandes empreiteiros. Fora o que não se sabe e que já foi apurado pela Lava-Jato. Temer não pode dar-se ao luxo de brincar com fogo. Quem teima em brincar corre o risco de acabar queimado. Está na hora de prevenir futuros incêndios, não de esperar que eles aconteçam.

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