Eduardo Cunha o que ele tem direito

eduardo_estadaoEduardo Cunha (Foto: Estadão)

Uma coisa era Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, valer-se de todos os instrumentos de pressão que o cargo lhe oferecia para barrar no Conselho de Ética a cassação do seu mandato por quebra de decoro.
Outra, muito diferente, é ele, impedido de exercer o mandato por decisão do Supremo Tribunal Federal, afastado, portanto, da presidência da Câmara, valer-se do seu prestígio pessoal para influenciar colegas e tentar escapar de ser cassado.
A um réu é permitido que minta para não se incriminar. A quem está preso, que tente fugir. A quem passa fome, que roube para comer. Por que a um parlamentar, respeitadas as leis, não é permitido cabalar votos a seu favor? Ou apenas a Cunha isso não é permitido?
No exercício da presidência da República, Dilma valeu-se de meios lícitos e ilícitos para derrotar o impeachment. Perdeu na Câmara. Está perto de perder no Senado. Como vice-presidente, Temer valeu-se da força do cargo para tirar Dilma do dela e ocupá-lo.
Os dois usaram o poder que tinham para alcançar seus objetivos. Poder derivado dos cargos. Cunha foi punido pelo Supremo por ter feito o mesmo quando sentado na cadeira de presidente da Câmara. Corre o risco de, fora dela, ser punido outra vez? É para ser assim?
Cunha é corrupto? Tudo indica que sim, mas à Justiça cabe julgá-lo. Não é disso que se trata aqui. Trata-se de examinar o legítimo direito que ele tem de lutar para sobreviver politicamente. Como o fazem quando ameaçados todos os políticos em todas as partes do mundo.
Não vi ninguém se escandalizar com o comportamento do deputado José Carlos Araújo (PRB-BA), presidente do Conselho de Ética da Câmara. Ali, anteontem, Cunha contava com maioria de votos contra o relatório que recomendava sua cassação. Que fez Araújo?
Suspendeu a sessão do Conselho. Com isso abortou a votação do relatório. Marcou nova sessão para a próxima semana. Espera que até lá Cunha tenha sido preso a pedido do Procurador-Geral da República. Ou que se enfraqueça dentro do Conselho.
Do presidente de um conselho de ética espera-se, no mínimo, que seja ético. Também que persiga a isenção mesmo sabendo quanto é difícil ser isento. Araújo não consegue disfarçar que tem lado. E o dele torce pela condenação de Cunha. É para ser assim?
FONTE: BLOG DO NOBLAT

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *