A Câmara dos Deputados ficará melhor sem o Centrão

rodrigo_maia-comemora_-_foto_agencia_o_globoRodrigo Maia comemora a sua eleição para presidente da Câmara dos Deputados
(Foto: Agência O Globo)

A eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidente da Câmara dos Deputados acabou com a Era de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e, por tabela, com o ajuntamento de pequenos e médios partidos chamado de Centrão que tanto susto causou à esquerda e à direita.
Assustou igualmente o governo da presidente afastada Dilma Rousseff e o governo recém-instalado do presidente interino Michel Temer. O que movia o Centrão era a crença na sobrevivência política de Cunha e o fisiologismo o mais descarado possível.
Cunha deverá ser cassado em agosto, depois do recesso do Congresso. São mínimas as chances de ele não ser cassado. O fisiologismo dos deputados reunidos no Centrão continuará, mas já sem perspectiva de ser saciado como ele sempre desejou.
Adeus à presidência da Câmara em fevereiro de 2017, quando Maia deixará o cargo depois de completar o mandato de Cunha. O Centrão tinha um candidato pronto para o lugar: o deputado Jovair Arantes, ex-líder muitas vezes do PTB, relator do pedido de impeachment de Dilma.
Para que ele pudesse chegar lá, era preciso que Rodrigo Rosso (PSD-DF), apoiado por Cunha, tivesse derrotado Maia na última quarta-feira. Não só perdeu no primeiro e no segundo turno, mas perdeu feio. No primeiro teve 106 votos contra 120 de Maia. No segundo, 170 contra 285.
O tamanho real do Centrão deve ser medido pelo resultado da eleição em primeiro turno. No segundo turno, Rosso obteve mais 50 votos entre deputados de outros partidos que o admiravam ou que votaram em candidatos derrotados no primeiro turno.
Para o Centrão, Rosso foi o melhor candidato que havia para a disputa. Para Rosso, naturalmente, o Centrão não foi a melhor base para garantir-lhe a vitória. Os 106 votos do primeiro turno surpreenderam os que que temiam a força do Centrão. Ela revelou-se menor do que parecia.
Os partidos agrupados no Centrão deverão se dispersar nos próximos meses. Procurarão novas alianças. E se tornarão presas mais fáceis para o poder de sedução do governo e da nova ordem instalada na Câmara.

FONTE: BLOG DO NOBLAT

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