24 de maio de 2022
Priscila Chapaval

D.Joaninha e os gatos na sua garagem

Mudei de casa e fui morar numa que pertenceu aos meus avós maternos. Era uma casa bem antiga, com porão e pé direito bem alto. O único inconveniente é que não tinha garagem e o meu carro teria que ficar sempre na rua.

Assim que mudei, fiquei conhecendo D.Joaninha uma senhora idosa, solteira, muito religiosa que morava quase em frente de mim. Era amiga da minha avó Jenny e sempre se referia a ela com muito carinho. Meus avós foram os primeiros moradores da rua que tiveram uma linha telefônica instalada na sua casa.

Minha avó Jenny logo ofereceu o numero da linha telefônica para algumas vizinhas mais intimas para deixarem com seus familiares, caso necessitassem se comunicar . Como retorno de tanta gratidão pelo uso de telefone, D.Joaninha veio até minha casa e ofereceu sua garagem para eu guardar meu Fusca.

Eu aceitei mas pagaria um aluguel. E assim meu carro – um fusquinha lindo e novo – ficava guardado e protegido. O duro era sair e entrar na garagem estreita com o carro, abrir e fechar o portão com cadeado.

Numa manhã muito fria de inverno, fui pegar o carro, abri o portão e dei partida. Notei que o carro falhava. Fui numa concessionária VW para ver o que estava acontecendo. No que abriram o capô o mecânico chamou os amigos dizendo: ¨Gente !!!! Vejam isso! Fui correndo até a oficina ver meu carro e notei que no motor tinha um gatinho preto, com o pelo arrepiado.

Pobre gatinho, morreu eletrocutado com a partida do motor. Eu atônita e os mecânicos riam sem parar de mim. Não achei graça nenhuma e sim cheia de superstição de gato preto, achando que era um mau presságio.

Passaram alguns meses e acabei esquecendo desse triste episódio. Numa outra manhã, como de costume fui pegar o carro e dei a ré. Notei algo estranho e parecia que o pneu havia furado. Pensei … putz que droga!! Desci para fechar o portão e o pneu estava ok. Só que não!

Eu havia passado em cima de uma gata que estava dormindo no pneu da frente perto do motor. A gata começou a rastejar e eu fiquei parada sem saber o que fazer. Nisso passa um pedreiro que conhecia e pedi para ele me ajudar a levar a gata no veterinário perto dali. Colocamos e bichinha enrolada numa toalha e lá fomos correndo deixá-la na Clinica Veterinária.

Saímos de lá e fomos a pé buscar água benta no Santuário de NS Schoentatt. Zeilton, o pedreiro, era uma figura!! Feio que só, mas de um coração de ouro.

Do Santuário foi comigo até a garagem e jogou água benta em todos os cantos. Infelizmente a gatinha estava grávida morreu, bem como 3 gatinhos dentro da barriga. Fiquei arrasada, achando que aquela garagem tinha coisa feita.

O tempo foi passando e a culpa de ter passado por cima dela também foi ficando mais amena. Afinal quem mandou a gata dormir em cima do pneu?

Mas o mais difícil foi me desculpar com uma vizinha que conhecia de vista e explicar que a gata sumiu da casa dela por minha causa.

Lembro-me do olhar dela fulminante e raivoso quando me via.. Cruzes! Toc toc toc , batia 3 vezes na madeira.!

Ela deve ter mudado porque também nunca mais a vi. E também nunca mais voltei naquela concessionária VW, de tanta vergonha que sentia, porque quando chegava para a revisão do fusca eles riam e diziam : Chegou o carro da mulher do gato morto!

Vendi o carro e devolvi a garagem. Fim.

Jornalista... amo publicar colunas sobre meu dia a dia...

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