21 de maio de 2022
Yvonne Dimanche

Pode "embranquecer" alguém?


A amiga/empregada/babá que ficou conosco por 12 anos dizia uma frase muito engraçada: “passou das 18h é noite”. Isso com relação ao que é negro.
Meu pai, por exemplo, era encardidinho, palavra essa que roubei da apresentadora Regina Casé, por ter feito uma viagem com o seu marido mulato não sei para qual país e o pessoal fez cara feia para os dois, provavelmente achando que eram traficantes, terroristas ou assassinos.
Pois bem, minha amiga babá estava mais do que certa. Simplesmente não temos mais mulatos, pardos, morenos, etc. Passou das 18h é negro e fim de papo.
Como sou uma pessoa muito pouco antenada com o que acontece no mundo, não tinha entendido muito bem a polêmica envolvendo o filme sobre o Carlos Marighela.
Algumas pessoas não concordaram com o fato do ator que o interpretou ser negro e foram taxadas de racistas. Fui pesquisar as fotos sobre ele e não vi nenhum negro e sim um encardidinho como o meu pai.
Eu só espero que o Brasil não se torne mais uma vez uma filial dos States que, no afã de pedir desculpas por toda crueldade que fizeram com os negros, agora querem se reabilitar e mostrar que lá todos são iguais.
Me engana que eu gosto. Nem precisa ir para Nova Iorque, basta dar um pulinho em Chicago.
Embranqueceram o Machado de Assis nas fotos, agora querem escurecer o Marighella e a realidade mais uma vez fica comprometida. Bom, essa é a opinião de quem não viu o filme.

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