Pé de pato, mangalô três vezes

Embora ainda não tenha sido afetada pela síndrome “minha terra tem palmeiras” – tudo nosso é mais lindo, até a sabiá canta melhor -,  acompanho as Olimpíadas com uma mistura de susto e alegria. A imprensa internacional gosta do que vê. Fico feliz. E os elogios foram fartos à festa de abertura que, realmente, encantou. Simples, colorida, alegre e criativa. É impossível não citar as arquibancadas, devemos a elas o altíssimo astral que comoveu o mundo. Também impossível não louvar o charme, a classe, a elegância e a beleza de Giselle Bündchen. Que moça maravilhosa…
Dito isto, aviso aos navegantes que deve estar rolando um babado fortíssimo entre os deuses que nos protegem. Tom Jobim disse que o Brasil não é um país para amadores. Com o que soube, acrescento que também não deve ser para ateus e agnósticos. Detesto o Eduardo Paes, mas vou bater cabeça para ele. Odó, yá, “seu” prefeito, o seu santo é forte.

angela

Amigo de infância que, há décadas, passa os fins de semana navegando na Baía de Guanabara – o legal de ser coxinha é que os amigos têm lanchas adquiridas honestamente – enviou-me um e-mail ontem. Absolutamente incrédulo, contou-me que chegou a sentir medo. As águas, que até então o repugnavam, de um sábado para o outro, em apenas sete dias, ficaram limpas, azuis, cristalinas, transparentes, cheirosas e repletas de peixinhos felizes. .
Espantadíssimo, sem acreditar no que via, ele percorreu todos os recantos sombrios da baía. E não notou nem sinal de poluição. Com medo de esbarrar em alguma mandinga, bateu em retirada mais cedo e foi contar a novidade aos filhos e amigos.
Ninguém acreditou, claro. Como o velho lobo do mar é chegado à uma cervejinha, todos aproveitaram a chance para avisar que testemunho de levantador olímpico de copo não vale. No domingo, a lancha ficou cheia. Filhos, os dois netos mais velhos, os amigos chegados e até a senhora esposa, que estudou comigo a vida inteira. Uma querida.
Creiam-me, leitores. Todo mundo viu, com os olhos que a terra há de comer, a perfeita limpeza da outrora impura Baía de Guanabara. Viram, mas creditaram às forças ocultas o espantoso milagre. O neto mais velho, 17 anos,  carioca sangue-bom, declarou:
– Isto é obra do além. Não tem outra explicação.
Concordo com o rapaz. Tem assombração no meio. Nada conserta assim, tão rapidamente, sem ajuda divinal.
Fico aguardando a opinião dos velejadores. Se, por acaso, eles confirmarem a súbita, inesperada e miraculosa limpeza da Baía, vou passar a respeitar o  Eduardo Paes.
Não porque ele seja o máximo, imagina. Passarei a respeitá-lo por medo. O homem transita em esferas metafísicas.
Não brinco com fogo.
Sou  boba, mas não sou burra.

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