Mais algumas homenagens recebidas por Sandro Vaia

Dia 7 de abril, dia do jornalista, logo, dia de Sandro Vaia. O Boletim publica mais algumas homenagens feitas a este ser humano fantástico que se foi para o outro lado.
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Post por Denise Andrade Sônego Mora
“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”.
George Orwell


Post por Ethevaldo Siqueira
“A FALTA QUE NOS FARÁ SANDRO VAIA NO BRASIL DE HOJE
Querida Vera e caros colegas, jornalistas. Eu estava no hospital até ontem, derrubado pela dengue que assola este País, razão por que, isolado do mundo por alguns dias, só fiquei sabendo na segunda-feira da perda desse amigo querido – colega de que me orgulho, com quem trabalhei em sua última etapa no Estadão.
Ao rever quase tudo que foi escrito sobre Sandro, quero registrar aqui, da forma mais sintética possível a dor que me causou seu falecimento e expressar o quanto estou solidário com Você, Vera, e com toda a família, neste momento.
Sandro Vaia fará uma falta imensa a todos nós, não apenas os mais próximos – amigos e familiares – mas a toda esta multidão de leitores e jornalistas que sempre reconheceram nele um dos melhores exemplos de honestidade, de competência e idealismo.
Finalmente, Vera, reconheço não haver palavras capazes de trazer a Você o consolo que só o tempo pode trazer, do mesmo modo que, para mim, neste momento, nada poderá reduzir o imenso vazio que a ausência de Sandro deixa não apenas em mim, mas, tenho certeza, também nos milhares de colegas que o conheceram.
Um beijo fraterno do Ethevaldo.”


post por Guilherme Macalossi
Sandro Vaia foi um professor particular de jornalismo que a vida me deu
Sandro Vaia viu as maiores manifestações da história do país da cama da UTI. Ele me contou em uma de nossas últimas conversas no Facebook. E foram várias. Cada uma delas valendo como verdadeiros semestres inteiros em faculdades de jornalismo. Sandro não era apenas um argumentador brilhante e esgrimista da pena, mas um ser humano afável, agradável, atencioso e divertido. Mesmo com a distância imposta entre o RS e SP e a impossibilidade de encontrá-lo pessoalmente, eu sei disso muito bem.
Me aproximei de Sandro nos últimos anos. Eu, um jovem jornalista aqui do sul do país, e ele um consagrado vetereno que passou pelas melhores redações. No ínicio me senti inadequado, talvez um tanto indevido. Fazia perguntas sobre os velhos tempos. E ele contava tudo sem a menor cerimônia. Os batidores do Jornal da Tarde, onde ele conviveu ao mesmo tempo com tipos absolutamente distintos como Rui Falcão, Olavo de Carvalho, Carlos Brieckman, Ricardo Setti, Mino Carta, entre outros tantos sujeitos que hoje são destaques em seus respectivos campos de atuação.
Sandro Vaia fazia parte da seleção dos melhores da história do jornalismo. E eu o tinha a minha disposição. Não apenas para saciar a curiosidade, mas também para aprender. Aprender muito. Sandro foi um conselheiro e inspirador. Quando este Sul Connection nasceu, corri para mostrar a ele. Quando criei meu programa de entrevistas, corri para pegar suas dicas, ainda que Sandro fosse mais ligado ao jornalismo escrito. Quando escrevia um texto qualquer que considerasse mais importante, usava ele de revisor. Amolei Sandro Vaia. Importunei Sandro Vaia. E Sandro Vaia nunca, jamais se recusou a fazer suas considerações e tecer seus comentários.
Tenho algumas referências intelectuais. Sandro era uma delas. Um homem que acreditava nas liberdades individuais e que jamais bateu continência ao coletivismo imbecilizante. Seja em seus livros,artigos ou em seus comentários mordazes no Twitter, e ele tinha a melhor conta de Twitter de todas, Sandro fazia o que hoje se tornou artigo de luxo: prestava tributo a arte de informar e formar opinião com inteligência e elegância.
É um clichê encerrar esta pequena homenagem dizendo que o Brasil fica incomensuravelmente mais burro. E fica. É um clichê encerrar esta pequena homenagem dizendo que o jornalismo fica muito mais pobre. E fica. Portanto eu prefiro encerrar dizendo ao Sandro Vaia que, no que depender de mim, honrarei nossa amizade por meio de meu trabalho, utilizando sua convivência comigo como inspiração diária.  Que sua alma descanse em paz meu querido amigo e professor particular.


Eu não queria tocar mais neste assunto (José de Abreu), muito embora tenhamos ficado horrorizados com a capacidade de algumas pessoas(?), mas a carta aberta da Giuliana (filha) volto ao assunto.
Giuliana Vaia publica carta aberta a José de Abreu em resposta a ataques a seu pai
Logo depois do falecimento do jornalista Sandro Vaia, o ator petista José de Abreu, por meio de sua conta no Twitter, atribuiu aos problemas de saúde de Vaia uma conotação política, como se os posicionamentos dele fossem a causa de sua morte. Tratou-se, por óbvio, de uma declaração grotesca, mas que deu a exata dimensão de José de Abreu como ser humano.
Recuso-me a republicar a ignóbil declaração deste senhor(?), mas sim, publico e subscrevo a resposta de sua filha.
Em contato com Guilherme Macalossi, editor deste Sul Connection, Giuliana Vaia, filha de Sandro, pediu a publicação de uma carta aberta direcionada a José de Abreu. Não apenas a publicamos como também a subscrevemos.
Segue a íntegra:
“Caro zé, (assim com minúscula)
Preciso te confessar uma coisa. Quando eu era mais nova, eu era sua fã. Não tenho vergonha de admitir isso, por mais vergonhoso que seja. Eu assistia a todas as suas novelas; era quase um amor platônico, tamanha minha admiração. Acredite. Hoje custo a acreditar.
O tempo foi passando, cresci e eu fui conhecendo, através de seus escritos, o homem zé de abreu, não mais o ator. E assim fui me decepcionando e meu castelinho de areia, ruindo.
Atrás das cortinas apareceu uma pessoa feia. Uma pessoa desrespeitosa, desumana que coloca a divergência política (e a ignorância, diga-se de passagem) acima do respeito pelo ser humano.  
Confesso que quando li aquele “tuíte” senti um misto de raiva e nojo. A que ponto chega a escrotidão de uma pessoa? Mas aí vi que não vale a pena sentir raiva de uma alma tão pobre de espírito. No fim, senti pena. Que coisa não? De uma admiração fervorosa, surgiu um sentimento de pena. E não tem coisa mais triste que isso.
Sabe, nem tô pedindo pra respeitar a memória do meu pai, porque sei que você não alcançaria tamanha iluminação, mas seria polido da sua parte respeitar o luto da família ao menos. Embora você se auto intitule comediante não é legal sair fazendo ‘piada’ com sentimentos tão doloridos nesse momento delicado pelo qual estão passando os familiares de seu desafeto. No caso eu, minha mãe e minha filha.
E olha, nem to entrando no mérito político aqui. To falando de respeito, humanidade e de caráter, coisa que infelizmente teu pai não te ensinou a ter. Ao contrário do meu.
Um abraço,
Giuliana.
Ps: Se é como você me disse “a morte não purifica a pessoa”, pois então vamos esperar sua próxima vida. Quem sabe deus te presenteie com um coração”.

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