Conselho: venham assistir

Como é pública e notória a minha paixão por Portugal – em particular, pela cidade do Porto -, se fosse eu a fazer tal afirmação, os leitores não levariam a sério. Afinal, o amor é lindo, mas cego. E gente apaixonada vê borboletas em excesso.
Porto2-compressor
Acontece que quem afirmou que a festa de São João daqui é mais bonita do que o réveillon do Rio de Janeiro foi a minha neta, que, além de carioca da gema, é artista plástica. Nós duas assistimos, da Ribeira de Gaia, ao sensacional espetáculo. Como sabem todos os que moram nestas bandas, a Ribeira de Gaia tem uma vantagem: a lindíssima vista do Porto. Apreciada do outro lado do Rio Douro, a cidade parece um pintura.
E é exatamente este cenário –  acolhedor, pequenino e belíssimo – que torna a festa para lá de especial. Os vinte minutos de fogos de artifício que explodem à meia noite, de 23 para 24 de junho, concentram-se em um espaço limitado, que fica iluminado como se, subitamente, o dia tornasse a nascer. A luz se espalha multicolorida no casario medieval e a gente perde o ar de tanta emoção.
O exagero na pirotecnia é o mesmo do Rio. Fogos, muitos fogos. Surpreendentes, lindos, explodindo em prata, em ouro e em vermelho e verde, a cores da Terrinha. De repente, a ponte Dom Luís I vira uma cascata, igual a do Hotel Meridien. Mas o espetáculo no céu é tão fantástico que esnobei a cascata. Preferi continuar namorando a Idade Média travestida de arco-íris. Inacreditavelmente lindo.
O pano de fundo do show são centenas e centenas de balões muito pequeninos, que os “tripeiros” soltam. Delicados e brilhantes, eles tornam a noite mutiestrelada. É impossível não parar de admirá-los e de se alegrar com “mais um, mais um, mais vários, meu Deus, que coisa bonita”, que a gente escuta sem parar.
Como sou uma exausta senhora de 32 anos – costurar cansa, meu povo, estão pensando o quê? – a festa tem um plus, também observado por minha neta que, apesar de jovem, já traz as cicatrizes do meigo cotidiano carioca.
Passava de uma da madrugada quando encerramos a nossa festa, que, aliás,  se prolongou em espetáculos diversos pela cidade. Entre o teleférico – que nos ofereceu a vista aérea das ribeiras lotadas –, o metrô e o conforto doméstico não se passaram 10 minutos de absoluta tranquilidade.
Já prontas para dormir, tomando um chá na cozinha, a neta comentou a facilidade com que tinhamos chegado em casa:
– Como foi possível voltarmos tão rápido? Havia uma multidão à nossa volta.
Vovó foi rápida no gatilho. Não podia perder a chance de elogiar a minha cidade do coração:
– Você está no Porto, minha querida, as coisas aqui são mágicas…

Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *