Burro voador

Não sou politicamente correta desde priscas eras. Mas esforço-me heroicamente para não dar muito na vista. A verdade é que não gosto de discutir abobrinha. Fico exausta, sério.

burro1Foto: Arquivo Google

Hoje, porém, não vou me censurar. Haja paciência para aturar o pessoal que rima lé com cré e começa a se considerar um fenômeno linguístico. Refiro-me ao “artista” que, além de seu suposto e extraordinário talento musical, é malhado, tatuado e exibe barriga tanquinho. Uaauuuuu, as mina pira.
Assim, cheio de marra, o malandro do pedaço – em nosso país, em que a noção de respeito ao próximo acabou há séculos – sente-se no direito de fazer tudo que passa na sua cabeça oca e mal educada. Afinal, aos gênios da raça tudo é permitido.
Exatamente, estou falando do funkeiro MC Livinho que –  após 73 milhões de acessos à uma música de quinta, “tudo de bom” – se autoproclamou Pop Star. Desconhecia-o – como, felizmente, desconheço ignorantes em geral -, até o momento em que, no sábado, 2 de julho, num voo da Avianca entre Brasília e o Rio de Janeiro, o supracitado idiota invadiu o sistema de som do avião exatamente durante as manobras de pouso.
Não tenho medo de voar. Mas, se estivesse a bordo e, subitamente, uma voz masculina anunciasse que a aeronave estava aterrissando e começasse a rezar o Pai Nosso, eu entraria em pânico. Segundo o G1, foi exatamente o que aconteceu no avião, todo mundo se assustou.
Um passageiro policial – provavelmente coxinha, fascista, racista, homofóbico, eleitor do Bolsonaro e a favor da intervenção militar – ousou não gostar do abuso e acabou com a brincadeira. A confusão se instalou, a oração foi interrompida, o comandante solicitou a presença da Polícia Federal e o bobalhão foi preso logo após a aterrissagem.
Ao ver a maravilha da MPB sair escoltada, outro passageiro, que devia estar com a adrenalina a mil, deu-lhe um soco. Resumindo a novela: após muita  estresse, o funkeiro vai responder a um processo. Bem feito.
Acho que, até ele entender que os seus direitos acabam quando começam os da turma comum, desprovida de barriga tanquinho e/ou algum talento estonteante – turma que, afinal, também vive, respira e paga impostos – o tal do Linvinho deveria ser proibido de usar transportes públicos.
Um espanto o Direito dos Manos ainda não ter se manifestado. Afinal,  interromperam o direito do coitadinho do funkeiro rezar.
Afirmo, no caso literalmente: não devemos dar dar asas às cobras.
Aos burros, também não.
Ignorância derruba aviões.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *