Antes que anoiteça

Fidel Castro se ofendeu porque Barack Obama não cumpriu o ritual de ir beijar-lhe as mãos e resolveu apregoar que dispensa “as esmolas do império”. Um idiota. Talvez também esclerosado. Mas, ainda assim, idiota.
Infelizmente, até o Papa Francisco, quando visitou Cuba, fez o triste papel de capacho.  Amo o Papa, mas achei lastimável a sua atitude.
Fidel não é o herói que a esquerda insiste em bajular. Lembro-me bem, em minha adolescência, da tristeza que sentia ao ler as notícias sobre os intermináveis paredóns. Milhares de pessoas fuziladas sem critério ou  piedade.
Fidel
A foto – autoria do jornalista Andrew López, da agência de notícias UPI e  que ganhou o prêmio Pulitzer em 1960 – mostra um cabo do exército de Fulgêncio Batista, momentos antes de ser assassinado. Ajoelhado em frente ao padre, ele espera conformado – ou em estado de choque -, a sua execução.  Um homem humilde. Duvido que tivesse alguma ideologia, além a da própria sobrevivência.
Eu era apenas uma menina. Mas fiquei tão chocada com a violência dessa foto que me tornei fanaticamente contra a pena de morte. Até hoje, décadas e décadas depois, não há argumento que me convença que um ser humano tem o direito de fazer isto a outro.
Pois é. Mas Fidel, o grande líder, acha que tinha e que ainda tem. Interessante ele ficar mordido porque Obama não foi lhe pedir a benção. Ótimo, já era tempo de alguém tratar Fidel Castro como ele merece e realmente é: um assassino frio, um corrupto que enriqueceu com a pobreza de seu povo.
Aconselho aos fanáticos, que a esta altura estão me xingando de coxinha idiota, que leiam “Antes que anoiteça”, a autobiografia do escritor cubano Reinaldo Arenas, revolucionário de primeira hora, que,  mais tarde, por sua homossexualidade, foi declarado inimigo do regime castrista.
A história de sua vida, as prisões, as humilhações que sofreu, as perseguições revelam que a tão louvada revolução cubana nunca deixou de   ser um movimento violento e fascista. Ou seja, ignorante.
“Antes que anoiteça” foi escrito enquanto Arenas fugia da polícia política. O título já revela a precariedade de sua situação: só podia dedicar-se ao trabalho antes de a noite e a escuridão envolvê-lo. É um livro de luta e  coragem. Mas triste, dramático, chocante, que revela até que ponto alguém pode ser física e moralmente desrespeitado. Nele, Arenas detalha as suas emoções e revela que, em Cuba, um artista só tem três opções:  fugir, aderir ou, literalmente, suicidar-se. Foi o que ele fez em 7 de dezembro de 1990, aos 47 anos, escondido com nome falso em Nova York.
Sua última preocupação foi entregar os seus manuscritos – que muitas vezes defendeu violando o próprio corpo – à uma amiga com a recomendação  que os salvasse: “(…) são o único sentido de minha vida (…)”.
De testamento, deixou uma corajosa obra acusatória. Através dos anos, por motivos políticos ou não, Arenas sofreu e assistiu a muitos assassinatos e torturas cometidos pela ditadura que os nossos esquerdistas reverenciam.
Ainda bem que Barack Obama deu uma esnobada em Fidel Castro.
Obama me representa.

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