Viagem ao Líbano

Continuando nossa viagem pelo Oriente Médio, essa semana vamos passear pelo Líbano. É uma viagem especial, principalmente se você tiver algum amigo libanês que  te leve conhecer lugares não tão turísticos. Os libaneses são muito conhecidos por sua generosa hospitalidade. Beirute está dividida em dois setores: oeste e leste, sendo respectivamente muçulmanos e cristãos.
O Líbano é um dos países mais cativantes do Oriente Médio, mesmo com tantas guerras intermináveis, o turista não se dá conta do sofrimento que passaram ou estão passando. Sempre foi conhecido como “a Paris do Oriente Médio”.
Os maravilhosos templos romanos de Baalbek, a marca deixada pelos fenícios em Tyr, o charme de Beirute são alguns atrativos desse país que tem apenas 200 km de extensão por 60 km de profundidade. Em Trípoli podemos ver o melhor souk e sua famosa arquitetura mameluca. O encanto de Jounieh, antes uma antiga aldeia de pescadores, hoje uma cidade viva, com restaurantes e música nos fins de semana do verão.
A escolha de hotéis em Beirute é farta, aconselho o Hotel Vendôme: o ponto é ótimo e tem uma linda vista para o mar. O café da manhã no restaurante do hotel, Sidney, é maravilhoso, comidas e doces árabes especiais, uma vista deslumbrante para o mar! Jantar lá também é uma boa opção, é muito bem frequentado.

Foto1Hotel Vendôme

O Hotel Phoenicia está todo reformado e reluzente! foi o sonho de Nagib Salha, um libanês que em 1961 abriu as portas do hotel associado ao Intercontinental. Conhecido como a Grand Dame de Beirute foi um must durante anos. Fechou durante a guerra e depois de 26 anos reconstruíram e reabriram em 2000 com toda a pompa. O restaurante Eau de Vie do hotel é boa opção para jantar.

Foto2Hotel Phoenicia

Hotel Albergo, é uma linda casa, fica em Ashrafieh, bairro muito charmoso na parte antiga da cidade, de extremo bom gosto, pertence ao Relais et Châteaux. O restaurante Al Dente, no 9º andar é ótimo, com um terraço muito simpático, vale muito a pena ir jantar lá para conhecer.

Foto3Hotel Albergo
Foto3aEntrada Hotel Albergo

Hotel Movenpick, fica entre a roca de Raouche, à beira do mar Mediterrâneo, e à baía de Ramlet Al Bayda, muito elegante, com praia particular e marina.

Foto4Hotel Movenpick

Hotel Four Seasons, localização muito boa em Beirute, bem no centro moderno, próximo às lojas, excelente para caminhar, próximo ao mar, delicioso buffet no café da manhã. O restaurante The Roof e o Spa são também muito especiais.

Foto5Hotel Four Seasons

Maison Sursock
A antiga Maison Sursock, construída em 1860 por Moussa Sursock, de uma tradicional família local, é uma das casas mais luxuosas da história da cidade de Beirute, e hoje em dia, o maior palácio privado daquela época, que se manteve intacto, em sua arquitetura ítalo-libanesa e com seus exuberantes jardins.

Foto5aMaison Sursock

Bem em frente ao Hotel Vendôme há um artesanato imperdível! Dá vontade de comprar tudo, de tão bom gosto. Fazer um cooper pela corniche, é um ótimo programa, ver o Farol de Beirute, parar na Gruta do Pigeon à beira da praia, são duas pedras enormes na praia onde na época dos romanos havia os pombos-correio.

Foto6Gruta do Pigeon

A cidade de Saida na costa, a 48km ao sul de Beirute, é um dos locais mais famosos da historia antiga. Há evidências que Saida seja habitada desde 4000 a.C., e talvez na era Neolítica. Saida provavelmente ultrapassou todas as outras cidades fenícias e desde o tempo persa era conhecida como “a Cidade dos Jardins”.
Passear e fazer compras no pitoresco souk de Saida, lindo de morrer, onde muita coisa ainda é feita do jeito medieval. Na ponta do souk está uma tradicional cafeteria onde a clientela masculina se encontra para fumar narguile (cachimbo de água árabe) e tomar café turco.
Em Saida não deixe de visitar a Savonnerie da Fundação Banco Audi, um espetáculo! A entrada fica em um beco do souk, mas lá dentro, o que se encontra, é um museu muito bonito sobre a história do sabão, inventado pelos libaneses. O prédio inteiro foi reformado e é de muito bom gosto; passam um filme super interessante sobre como se faz sabão.

Foto7aEntrada da Fundação Audi
Foto7Savonnerie – Fundação Banco Audi
Foto7bInterior da Savonnerie

Castelo de São Luís
As ruínas deste castelo ficam em um monte ao sul da cidade de Saida, onde se acredita tenha sido a antiga acrópole dessa cidade. A atual estrutura do castelo remonta aos cruzados, e foi construída no local de uma antiga fortaleza Fatímida (dinastia do xiismo ismaelita). O nome ocidental vem de Luís IX, conhecido como São Luís, que reconstruiu e ocupou a fortaleza quando retomou Saida dos Ayyubids, em 1253.
Château de la Mer
Construído pelos cruzados em 1228, o Castelo do Mar, liga-se ao continente por uma ponte árabe de pedra fortificada. O castelo fica em uma pequena ilha, antigamente local de um templo para Melkart, a versão fenícia de Hércules. Um dos muitos castelos costeiros construídos pelos cruzados, foi em grande parte destruído pelos mamelucos para impedir os cruzados de retornar a região, mas sua renovação foi ordenada por Fakhreddine no século XVII.
Almoçar no Restaurante House em Saida, com vista para o Castelo do Mar. É um khan (abrigo para caravanas) otomano restaurado, com tetos abobadados, mármores e cantaria. O terraço sombreado no jardim à beira-mar tem uma bela vista da orla marítima de Saida. A comida é a tradicional libanesa: bom mezze, frutos do mar e vinho libanês.

Foto8Château de la mer

Khan al Franje
Ou Caravanserail para os franceses, local que acolhia os comerciantes e viajantes da época (1610), a maioria franceses. Um dos muitos khans construídos por Fakhreddine ll (1690) durante seu reinado para acomodar os comerciantes e mercadorias. No século 19, khan Sidon, abrigou o consulado francês, uma escola, um convento, uma estalagem e um pequeno museu exibindo artefatos locais. Khan Sidon é o maior khan e o mais bem preservado do Líbano.

Foto9Khan el Franj

Deir el Kamar
Ou Convento da Lua fica numa parte histórica do Líbano, o Chouf, a 1.500 metros de altitude numa região muito fértil, em uma área verde preservada, coração da comunidade Drusa. Eles estão lá desde o século XII, se vestem até hoje de preto e são mais do lado dos cristãos do que dos muçulmanos. No século XVI o príncipe Bechen II fez de Deir el Kamar a capital que assim permaneceu por quatro séculos. Também é notável por sua Mesquita Fakhreddine, pelo Palácio Fakhreddine II e uma antiga sinagoga. As casas dos cristãos nessa área estão vazias porque eles tem medo dos drusos atacarem.
Vale Lamartine
Nome dado ao vale em homenagem ao poeta francês. É uma estrada ótima que vai de Beirute até Damasco.
Beiteddine
O palácio tem mosaicos maravilhosos, comprados pelo presidente Kamil Chamoure e está em um lugar estratégico. Tem três salas muito bonitas com boiserie e dois pátios onde fazem o festival de música no verão.

Foto10Palácio Beiteddine
Foto11Palácio Beiteddine

Almoçar num antigo palácio, hoje um hotel, o Mir Amin Palace Hotel, lindo, bem em cima da montanha, com uma vista maravilhosa de Deir al Kamar e Beiteddine. Almoço árabe ótimo.

Foto12Mir Amin Palace Hotel

Um programa diferente em Beirute é ir esquiar em Faraya, uma estação de esqui muito bem equipada e que fica somente a 40 km de Beirute. Você sai de manhã com 26/27 graus em Beirute e quando chega em Faraya a temperatura está 5 graus!!! É incríve, tem restaurantes na montanha e um hotel Intercontinental Mzaar Lebanon Kfardebian, cinco estrelas.

Foto13Ski em Faraya

Passear a pé no centro velho de Beirute, está tudo novo, reconstruído: Place d’Étoile com muitos restaurantes, loja Aishi de departamentos só de griffies, ótima. Almoçar no restaurante Balthus, muito bom.
Jantar no restaurante Mandaloun sur mer, deliciosos frutos do mar e uma boa carta de vinhos.

Foto14Restaurante Mandaloun sur mer

Basílica de N. Sra. do Líbano, Harissa
No Porto de Jounieh, dando as boas vindas aos visitantes, se pode ver a Nossa Senhora de Harissa, uma imagem erguida a 600 metros de altura. Pegar o teleférico para subir. No verão a vista do alto das montanhas dá uma boa ideia de toda a baia de Jounieh. Almoçar no restaurante Kabab, muito bom.
Grotta de Jeita
A 18 kms de Beirute, a gruta é linda, com incríveis estalactites e estalagmites, vale uma visita! O tour inclui um passeio de trenzinho e depois um de barco através de parte da gruta, um filme sobre a história das cavernas, e acesso a um café e restaurante. Aberta ao público em 1958, a gruta tem salões imensos e cerca de 7 km de extensão. Há um lago de águas geladas e cristalinas dentro da gruta, o que cria um ambiente mágico.

Foto15Trenzinho Grotta de Jeita
Foto15aGrotta de Jeita

Byblos
Acredita-se ter sido fundada por volta de 5.000 a.C., por Cronos como a primeira cidade da Fenícia. Hoje é considerada por muitos como a cidade mais antiga do mundo, continuamente habitada. Estrada ótima, almoçar no restaurante Azray à beira-mar, muito bom, vista linda. Vale muito a pena visitar as ruínas que são maravilhosas. Em 502 houve um terremoto que destruiu grande parte de Byblos.

Foto16Byblos
Foto16aByblos

Trípoli
É a segunda cidade do Líbano em população, sendo 80% de muçulmanos sunitas. Fundada pelos Fenícios, durante as Cruzadas.

Foto17bTrípoli

A noite, uma boa pedida é ir para Beit Mery jantar com música na montanha, muito bonito, restaurante Janna, tem uma lojinha ótima na porta que vende bolsas lindas.
Ir para Chtaura, restaurante L’Auberge de Fouad Aboumansour, comida ótima, ele é muito conhecido de todos os libaneses que moram em São Paulo.

Foto17aRestaurante L’Auberge

Visitar a cave de vinho Ksara, muito interessante, tour com guia e filme e, prova-se o vinho deles que é ótimo!

Foto14Cave de Ksara

Baalbek, é uma cidade histórica do Líbano. Antiga cidade da Fenícia, no vale do Bekaa, tornou se colônia romana sob Augusto. As gigantescas ruínas de Baalbek se encontram em meio à planície de Bekaa, entre as cordilheiras do Líbano e do Anti-Líbano. Foi chamada Heliópolis, “cidade do sol”, pelos gregos e romanos.
Sua origem recua até perder-se nas lendas antigas de Baal, que era considerado “o controlador do destino humano”. Durante os primeiros séculos da era cristã, Baalbek foi muito próspera e famosa. Tem um museu lindo dentro de uma gruta. Um programa imperdível no verão é assistir algum cantor famoso ou ver uma ópera em Baalbek.

Foto19Baalbek

Visitar a cidade de Zahle e tomar um café no hotel Kadri. Zahle é uma cidade muito famosa aqui em São Paulo entre os libaneses, muitas famílias conhecidas aqui vieram de lá.
Um programa noturno obrigatório é ir ao Cassino, às 10h sempre tem um bom show, dar uma volta e ver a vista que é linda.

Foto20Casino du Liban

Visitar as ruínas do Castelo St. Gilles da época dos cruzados. Em 1489 Raymond de St. Gilles cercou Trípoli, a segunda capital do Líbano, durante 10 anos.

Foto21Castelo de St. Gilles

Ir para Anjar, chamada Shalkis de 703 A.C. maravilhoso, lugar lindo, planície do Bekaa, cercado das montanhas Mont Liban de um lado e Anti-Liban do outro, fazendo fronteira com Israel, tudo coberto de neve. No séc. I os Semitas deram o nome de Anjar que significa fonte que corre.

Foto22Anjar

Para terminar uma frase do poeta libanês Khalil Gibran:
“Vivemos só para descobrir beleza. Todo o resto é uma forma de espera”.
Boa viagem!
Colaboradora: Virginia Figliolini Schreuders

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