Rio de Janeiro – Um passeio por Santa Teresa

Essa semana vamos fazer um tour diferente por Santa Teresa com o guia, Marcio Macedo da empresa Curumim[1], conhecendo desde um projeto super-interessante no morro até as galerias de arte como o Circuito Oriente e o evento Arte de Portas Abertas.
Santa Teresa é um bairro super-antigo do Rio de Janeiro, hoje também chamado de “Chelsea carioca”, está se revitalizando. Mesmo sem os famosos bondinhos que só voltarão a circular por lá no segundo semestre de 2016, pode-se ver grande movimento de turistas, uma vez que ali se reúnem nos dias de hoje artistas, ateliers, galerias, hotéis, restaurantes e museus.

Foto1-VistaSantaTeresaVista de Santa Teresa

Porque Santa Teresa? O artista Renan Cepeda já morava em Santa Teresa e ocupou um espaço onde antes foi uma padaria. Os artistas são na sua maioria jovens e gostam do bairro porque além de ser muito difícil encontrar espaços bons no Rio de Janeiro, juntos conseguem criar ações coletivas.

Foto1a-SantaTerezaBondinhos de Santa Teresa

Circuito Oriente
O Circuito Oriente é uma ação coletiva já na quinta edição com uma programação quase mensal que reúne vários ateliers da Rua Oriente, todos em Santa Teresa. Promovem inaugurações de exposições e alguns cursos. Boa parte dos ateliers são casas dos próprios artistas onde aproveitam para mostrar os seus trabalhos.
As visitas são feitas com hora marcada. Fazem parte deste circuito: Estúdio 19 (Júlio Castro e Magliani), Atelier Oriente (Renan Cepeda, Kitty Paranaguá e Thiago Barros), Ateliê Oriente, EuVira, Cama e Café Canto da Carambola.
Esse evento acontece um sábado ou um fim de semana por mês: é um programa muito divertido, você sai do Largo das Neves e vai andando e visitando as várias galerias até o Largo do Guimarães, um passeio delicioso para se fazer.

Foto2Galeria de Fotografia
Foto3-RuadoOrienteRua do Oriente

Arte de Portas Abertas
R. Felício dos Santos 9 casa 1
Tel: +55 21 2507–5352
É uma outra ação coletiva, que se realiza uma vez por ano, também em Santa Teresa: são 77 artistas em 48 ateliers e 19 espaços culturais. O evento esse ano, já na 23ª edição, será em julho.
Os artistas abrem suas portas para mostrar seus trabalhos durante um fim de semana. Eles oferecem um mapa do que tem no circuito: espaços de cultura, gastronomia, lojas, projetos sociais e espaço de moda.

Foto3a-ArtedePortasAbertasArte de Portas Abertas

Museu Chácara do Céu ou Museu Castro Maya
Rua Murtinho Nobre, 93 – Santa Teresa
Tel: +55 21 3970–1126
www.museuscastromaya.com.br
A casa de Santa Teresa, conhecida desde 1876 como Chácara do Céu, foi herdada por Castro Maya em 1936. A construção atual, projetada em 1954 pelo arquiteto Wladimir Alves de Souza, destaca-se pela modernidade das soluções arquitetônicas e por sua localização. A vista que se tem dos jardins é maravilhosa! 360 graus sobre a cidade e a baía da Guanabara.
O acervo é riquíssimo: reúne arte europeia, Matisse, Degas e Miró, arte brasileira, Guignard, Di Cavalcanti, a maior coleção de Portinari, e uma biblioteca com 8.000 livros.
Curiosidade – D. Pedro II convidou pessoalmente o pai de Castro Maya, homem muito culto, para ser preceptor de seus netos.

Foto4-MuseuChacaradoCeuMuseu Chácara do Céu
Foto4a-MuseuChacaradoCeuMuseu Chácara do Céu

Parque das Ruínas
Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa
Tel: +55 21 2224–3922
Localizado no alto do morro em Santa Teresa, o parque é um belíssimo mirante com uma vista incrível do centro da cidade e das praias, praticamente 360 graus. O museu das ruínas ocupa a casa que pertenceu a Laurinda Santos Lobo e hoje é o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo. Dona de uma grande fortuna, Laurinda herdou a Companhia Mate Laranjeira de seu tio Joaquim Murtinho.
No Rio de Janeiro da Belle Époque, conhecida como a Diva dos Salões, Laurinda foi uma referência em elegância para a sociedade. Transformou sua casa em Santa Teresa num centro de encontros da intelectualidade carioca da época e emprestava seu nome e prestígio em prol das lutas feministas.
Rua Monte Alegre, 306. – Tel: 2242-9741

Foto5Parque das Ruínas

Hotel Santa Teresa – Relais & Chateaux
Rua Almirante Alexandrino 660, Santa Teresa, RJ
www.santa-teresa-hotel.com
Vencedor do Travellers’ Choice 2012
Localizado na área mais nobre do bairro de Santa Teresa, o hotel Santa Teresa fica no local de uma antiga fazenda colonial.
Totalmente restaurado o hotel boutique é sofisticado e charmoso sendo padrão de referência do design tropical brasileiro no Rio de Janeiro. Jardins lindos, piscinas com vista para a cidade, SPA da Natura, bar super-romântico dos solteiros, lounge confortável. Tem uma vista panorâmica da cidade, do porto, e da Baía de Guanabara que pode ser apreciada de todos os quartos e jardins.

Foto6Hotel Santa Teresa
Foto6aPiscina e jardim do Hotel Santa Teresa

Restaurantes
Térèze
É o restaurante do hotel Santa Teresa, decoração muito bonita, famoso por sua gastronomia franco-brasileira do Chef Damien Montecer que já trabalhou com Alain Ducasse, Gordon Ramsay e no Garcia e Rodrigues.

Foto7-RestauranteSantateresaTerezeRestaurante Térèze

Aprazível
Rua Aprazível 62
Santa Teresa, Rio de Janeiro
+55 21 2508–9174
www.aprazivel.com.br
No alto de Santa Teresa você chega a se esquecer que está no Rio de Janeiro, porque o bairro guarda ainda um ar de cidade pequena.
O casarão do restaurante tem uma vista incrível da cidade, a decoração é simples e de bom gosto, o verde exuberante e a cozinha serve saborosos pratos típicos brasileiros. Por tudo isso é um lugar que vale a pena conhecer.

Foto8Restaurante Aprazível

Bar do Mineiro
Rua Paschoal Carlos Magno, 99
Tel: +55 21 2221–9227
De 1992, o Bar do Mineiro, de uma família mineira, fica em um sobrado com portas em arco, paredes ladrilhadas e fotografias de grandes personalidades nas paredes. É um dos bares mais conhecidos e da cidade e disputado por jovens e turistas. Deliciosa comida mineira e pastéis

Foto9-BardoMineiroBar do Mineiro

Projeto Morrinho
www.morrinho.com
Rua Pereira da Silva 826, parte 1, Laranjeiras
Tel: +55 21 8308 6298
Cilan Oliveira foi quem nos recebeu na entrada do Projeto. É um rapaz de 23 anos e foi quem começou há quatorze anos em forma de brincadeira a maquete em que se transformou o Projeto Morrinho. Cilan nos contou como começou a história do projeto: há 14 anos ele e alguns amigos brincavam de Lego (lego para essas crianças são tijolos de cimento furados como podemos ver nas fotos) no morro, e chamou a atenção de um sociólogo francês que visitava a favela.
Olhando mais atentamente percebeu que a brincadeira retratava a vida cotidiana dramática das famílias dessas crianças, ou seja faziam com o Lego o que viam: pais bêbados, mães e crianças que apanharam, muita droga etc… para escapar da realidade de violência e corrupção do lugar, começaram a construir a maquete do Morrinho, que representava sua realidade de mundo.

ProjeMorriProjeto Morrinho

O sociólogo incentivou a brincadeira porque percebeu que era uma maneira saudável dessas crianças elaborarem a dramaticidade de suas vidas. Cilan cresceu e projeto se desenvolveu até se tornar o que é hoje. Já foram para 14 países até na Bienal de Veneza se apresentaram.
Eles têm um pequeno e singelo escritório no alto do morro perto dos legos com filmes e DVDs contando a história deles. Cilan é hoje o representante e guia local do projeto, se apresenta muito bem vestido e conta tudo com muito orgulho, nos levou até a visitar a casa dele, onde vive com os pais e os irmãos. Todas as frase que estão escritas na maquete são de Cilan, tipo “o lixo dos outros é luxo de alguns”que se tornou um verdadeiro poeta.
Andamos duas horas pela favela, entramos em Santa Tereza e saímos em Laranjeiras, subindo morro acima e morro abaixo. Eu contei mais de 48 crianças abaixo de seis anos, das quais Cilan era padrinho da maioria.

Foto9bCilan Oliveira

O principal objetivo desse projeto é despertar a comunidade local para uma mudança positiva de vida e tentar revelar como as favelas são vistas pelas pessoas.
Na prática esse projeto atua desde 2004 realizando exposições, filmes e workshops com os jovens criadores da obra “Morrinho”. Desse modo o projeto social quer contribuir com os jovens carentes da comunidade aumentando a auto estima deles, ao mesmo tempo em que ajuda a gerar renda para eles.
A obra “Morrinho” construída dentro da favela Pereira da Silva no Rio é uma maquete em tijolos e materiais reciclados feita em pequena escala com 350 metros quadrados. Hoje, esse projeto conta com quatro iniciativas: TV Morrinho, Turismo no Morrinho, Morrinho Exposição e Morrinho Social.

Foto10aEscritório do Projeto Morrinho

Favela Pavão
Fomos conhecer o elevador panorâmico do Complexo Rubem Braga, projeto do escritório João Batista Martinez Corrêa, arquiteto paulista, que integrou favela e asfalto em Ipanema e deu ao Rio mais um ponto turístico.
A vista é realmente deslumbrante! Foi batizado com esse nome em homenagem ao cronista carioca Rubem Braga, que viveu no prédio ao lado da estação do metrô de Ipanema. O complexo compõe-se de duas torres com elevadores panorâmicos, uma passagem coberta com mais de 300 metros, para facilitar o acesso dos moradores do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho ao metrô de Ipanema.
Em uma das torres fica um posto do Poupa-Tempo e para os que preferirem há também acesso por escadas. Antigamente os moradores faziam todo esse percurso a pé! Subidas de até 80 metros!!. Do elevador panorâmico uma vista incrível da praia de Ipanema! Três lances de escada da saída do elevador, fica o Mirante Da Paz, com a vista imponente das praias de Copacabana, Ipanema e Leblon, cercadas de um lado pelo Morro Dois Irmãos, de outro pela Lagoa Rodrigo de Freitas e Corcovado, de uma só vez. A cidade é mesmo maravilhosa!

Foto11Pavão – vista elevador, torre e passagem

É uma obra arrojada e de importância arquitetônica e talvez um marco na integração social da cidade, que por questões geográficas faz do Rio de Janeiro uma cidade onde a pobreza e a riqueza convivem lado a lado.
A estreita faixa de terra onde se desenvolveu a cidade está espremida de um lado pelo mar e do outro pelas montanhas que rodeiam a cidade. As favelas surgiram entre a cidade e o alto dessas montanhas, em terrenos ocupados irregularmente ao longo de anos de omissão das autoridades e passaram a fazer parte da paisagem urbana.

Foto12Vista do Elevador Panorâmico

Para terminar um trecho do escritor e jornalista mineiro Ruy Castro, que se pode ver em uma das paredes do complexo:
“No auge dos anos 60, o braço armado de Ipanema empunhava um violão. E seu canto de guerra – na verdade, de paz – era a Bossa Nova. Era dele que saíam as insuperáveis melodias, as complexas harmonias e a batida diferente e irresistível que, somada às palavras de seus poetas, faziam de qualquer dia em Ipanema um domingo.”
[1] Marcio Macedo é graduado em Turismo pela Universidade e pós-graduado em Gestão de Empreendimentos Turísticos pela UFF. É também guia de turismo certificado pelo Ministério do Turismo. É diretor da Curumim Eco Cultural Tours, empresa especializada em roteiros ecológicos e culturais.
Colaboradora: Virginia Figliolini Schreuders

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