Tem que impichar. Depressa, pelamordeDeus!

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É desfaçatez demais, é acinte demais, é desaforo, é escárnio demais.
Não fui para a Paulista hoje berrar fora Dilma, fora Lula, fora PT,  e me arrependo.
É sempre melhor a gente se arrepender daquilo que fez do que daquilo que não fez. Essa é uma verdade, a rigor um axioma, que já foi repetido por muita gente, mas houve um sujeito que disse isso de maneira especialmente bela. Não me lembro com certeza. Creio que foi Fernando Sabino, no Encontro Marcado. Mas isso não importa tanto.
Importa é que a gente deveria fazer as coisas – e não deixar de fazer. Melhor errar fazendo do que errar por omissão.
Não fui hoje à Paulista por preguiça, porque estava com fome e queria jantar, porque queria beber umas. Motivos torpes. Deveria ter ido à Paulista.
Minha ausência não prejudicou ninguém – a não ser eu mesmo – porque, se eu não estava, estavam lá aqueles milhares.
As pessoas que foram à Paulista hoje, as pessoas que foram à Avenida Afonso Pena em Campo Grande, as pessoas que foram para a frente do prédio da Justiça Federal em Curitiba, todas as pessoas de todos os lugares do Brasil que foram às ruas berrar fora Dilma, fora Lula, fora PT merecem respeito, consideração, admiração.
Brava gente brasileira.
***
No momento em que estourou a notícia da fala de Dilma ao telefone para Lula, no início da tarde desta quarta-feira, 16 de março – “Lula, deixa eu te falar uma coisa. Seguinte, eu tô mandando o Messias junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?” –, estávamos na casa da minha filha, com Marina. Tínhamos levado nosso presente de aniversário para ela, e estávamos junto com ela enquanto jantava.
Marina jantava quando o Aníbal Sá começou a me mandar mensagens nervosas contando sobre o áudio que todo mundo estava reproduzindo. Demorei bastante para entender exatamente o que era.
***
A sensação é de que chegamos ao auge do auge do auge da crise política. Chegamos à temperatura em que a água ferve.
É desfaçatez demais, é acinte demais, é desaforo demais, é escárnio demais da conta uma presidente desqualificada, incompetente, rejeitada hoje pela imensa maioria da população, nomear para o Ministério mais importante da República o ex que precisa desesperadamente de um cargo no primeiro escalão para escapar da prisão por uma imensa série de crimes – apenas dois dias após o país ter assistido à maior manifestação política de toda a sua História exigindo exatamente a saída dela e a prisão dele.
Eles partiram mesmo para o tudo ou nada. Tinham pouquíssimas opções – optaram por radicalizar.
Depois de nomear Lula ministro chefe da Casa Civil, eles só têm uma outra opção: a declaração de guerra total. Botar os exércitos do Stédile e do Guilherme Boulos nas ruas.
***
Dois detalhinhos deste dia tragicamente histórico me chamaram especialmente a atenção.
Dias Toffoli fez um belo voto na sessão em que o Supremo Tribunal Federal apreciou os questionamentos feitos pela presidência da Câmara dos Deputados à decisão da corte, em dezembro passado, com relação aos ritos do processo de impeachment de Dilma Rousseff.
Como se sabe, o voto do ministro relator Luís Roberto Barroso, em dezembro, endossado pela nossa Suprema Corte, determinou dois absurdos. O primeiro, que a comissão especial da Câmara para apreciar o pedido de impeachment não deve resultar do voto dos deputados, mas sim da indicação pura e simples dos líderes partidários. E não é permitida a apresentação de nomes avulsos. Nesse ponto específico, o STF acaba com a separação de poderes, ao se imiscuir na forma com que o Poder Legislativo escolhe suas comissões. O segundo, que o Senado tem autonomia para rejeitar, por maioria simples, um eventual pedido da Câmara para que a outra Casa julgue o  impeachment. Nesse ponto, o STF derruba a jurisprudência, joga no lixo a forma com que o pedido de impeachment de Fernando Collor tramitou no Legislativo – e, a rigor, torna inútil, desnecessário, tudo o que a Câmara fizer, debater, votar. E ainda, absurdamente, loucamente, doidivanamente, ilogicamente, abre espaço para que minoria simples do Senado jogue fora uma maioria qualificada dos representantes do povo.
Já falei muito mal de Dias Toffoli, que chegou à Suprema Corte não por seus doutos conhecimentos de Direito, mas por ter sido advogado do PT e auxiliar de José Dirceu.
Mas tiro meu chapéu a ele, pelo voto que deu hoje contra a maioria, ao lado apenas do ministro Gilmar Mendes. O STF rasgou a Constituição por 9 a 2 – sendo que destes dois um chegou lá por ser petista e o outro é sempre acusado de ser pró-PSDB.
Me alonguei nessa questão.
O outro detalhinho que me pareceu fantasticamente interessante neste dia histórico foi levantado por Merval Pereira, na Globonews.
No início da tarde, Lula viajou de Brasília para São Paulo. Antes de embarcar, pegou o documento que Dilma enviou para ele via funcionário do Executivo, “o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade”.
Quando Lula embarcou em Brasília em direção a São Paulo, no início da tarde, sua posse estava marcada para a terça-feira que vem, dia 22. Pois é, mas aí deu a merda que deu, divulgou-se o áudio de Dilma combinando com Lula a entrega do “papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade”, e de repente a posse, que havia sido anunciada para a terça que vem, dia 22, foi marcada para esta quinta agora, 17.
E aí o Merval Pereira questionou: quem pagou o jatinho de Lula de Brasília para São Paulo na tarde de quarta? Quem pagará o jatinho de Lula de São Paulo para Brasília na manhã de quinta?
Ministro não pode viajar de jatinho particular.
Lula não se dispõe a viajar de avião de carreira. Lula de-tes-ta esse negócio de avião de carreira. Imagina se sentar ao lado dele um sujeito pobre? Argh, horror, horror!
Para garantir que Lula não poderia ser preso pelo juiz Sérgio Moro, informou-se que Lula já era ministro no meio da tarde de hoje, quarta, 16.
Mas Lula viajou para São Paulo em jatinho particular. E vai para Brasília nesta quinta, 17, em jatinho particular.
Pode?
Tem que acelelar o processo de impeachment.
Impicha a bruxa. O quanto antes. PelamordeDeus. Pelo amor do Brasil.

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