16 de agosto de 2022
Colunistas Maria Helena

Erros se corrigem

People gather at a police precinct during a protest for George Floyd in Minneapolis on Tuesday, May 26, 2020. Four Minneapolis officers involved in the arrest of the black man who died in police custody were fired Tuesday, hours after a bystander’s video showed an officer kneeling on the handcuffed man’s neck, even after he pleaded that he could not breathe and stopped moving. (Richard Tsong-Taatarii/Star Tribune via AP)

As manifestações que tomaram de assalto o território americano foram emocionantes. Nelas podíamos ver negros, brancos, latinos, judeus, orientais, todas as etnias e representantes de todas as religiões, irmanados na dor e na revolta com a morte brutal de George Floyd. Seu martírio, longo o suficiente para que ouvíssemos, nitidamente, onze vezes seu lamento ‘I can’t breathe’ e o apelo, ‘Mommy! Mommy!, que faz por socorro, até agora ecoam pelo mundo.
O policial que o matou foi de uma crueldade absoluta. E os dois colegas que a tudo assistiram impassíveis, merecem, em minha opinião, a mesma pena que for dada ao assassino. São três seres abjetos, que não merecem fazer parte da Polícia do país que canta Black Lives Matter!
A cena chegou aqui trazendo a dor dos negros americanos que veio juntar-se à dor dos nossos negros. E com ela inúmeras ideias, algumas originárias dos States e outras nascidas aqui mesmo. Umas inteligentes e extremamente necessárias, outras estúpidas e destituídas de qualquer valor. Por exemplo: acabar com a Polícia. Qual o sentido? Por acaso os crimes vão sumir como num passe de mágica? As cidades serão paraísos, onde viver é sempre muito tranquilo?
Mas tem pior. Revoltante é o racismo, o preconceito, a perseguição aos negros e a tal da supremacia branca, que não existe nem nunca existiu. Ou ainda pior: apagar os mais fortes sinais do horror que já foi vivido em nosso país durante o longo período da escravidão. Como? Derrubando estátuas, rasgando páginas da nossa História, apagando o passado na esperança de que, assim, consertaríamos tudo e renasceríamos um povo ideal, sem máculas?
Como tudo mais, isso não nasceu aqui. É cópia. Será que alguém realmente acha que ao derrubar a estátua do traficante de escravos em Bristol, Inglaterra, a queda da imagem apagou o passado?
Ao ler que a HBO Max recolheu as cópias do magnífico ’… E O Vento Levou’, filme histórico, com grandes interpretações, e que é uma das obras primas do cinema americano, fiquei apavorada com o que possa vir a suceder aqui. O filme retrata a segregação racial que era a norma no Sul americano e negros podiam ser assassinados impunemente por infrações reais ou imaginárias. Mas é algo mais também: idealiza a figura do escravo da casa, que fazia parte da família dona da fazenda dos O’Hara.
A saga de Scarlett O’Hara se passa durante a Guerra Civil americana (1861-1865). De lá para cá já se passaram cento e cinquenta e cinco anos. Tempo suficiente para corrigir todos os erros que o homem cometeu e fazer do mundo um lugar acolhedor para todos nós. Apagar a História, derrubar estátuas, queimar livros e refazer nosso passado não vai resolver nada. O que resolveria seria mais instrução, mais educação, mais amor ao próximo e mais gratidão a Deus. E que todos nos esforçássemos para merecer viver melhor.
Fonte: Blog do Noblat

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