Viagem ao Rio moderno

Acabo de voltar de uma viagem maravilhosa ao Rio moderno dos anos 20, depois de três dias mergulhando na “Metrópole à beira-mar”, de Ruy Castro, vivendo a cidade e seus grandes personagens numa década vibrante de modernização da vida e dos costumes, na imprensa fervilhante, na música, na ópera, na literatura, nas artes plásticas, no teatro, no cinema, na caricatura, na invenção da praia, na arquitetura, no futebol, na luta das mulheres, na liberação sexual e no consumo de cocaína, morfina e ópio (as primeiras prisões por porte de drogas seriam registradas no Rio só em 1933). A cidade tinha 1.150.000 habitantes, 30 mil carros, 24 mil telefones e mais lâmpadas nas ruas do que Paris.

Com sua beleza e seu glamour de capital da República, o Rio mudou muito na virada para os anos 20, e o mundo também. A grande desilusão com a “civilização” europeia pela carnificina e estupidez da Primeira Guerra (1914-18) mudou o olhar brasileiro para novos modelos de vida mais livres e modernos, com roupas mais curtas e mais leves, mulheres de cabelos curtíssimos, boquinhas de melindrosas, os cariocas descobrindo a praia e o corpo, as artes florescendo no meio de conspirações políticas, golpes e revoluções, no Rio cosmopolita e moderno fascinado por novidades tecnológicas e artísticas.

Esses anos loucos cariocas foram protagonizados pelo talento, o vigor criativo e a juventude de artistas como Villa-Lobos, Pixinguinha, Sinhô, Di Cavalcanti, Ismael Silva, João do Rio, Manuel Bandeira, Mário Reis, Lima Barreto, Carmen Miranda, Bidu Sayão, Cecília Meireles e outros que o tempo sombreou e o livro traz de volta à luz.

Com o Rio recém-saído de uma epidemia de gripe espanhola que tinha matado milhares de pessoas, seria uma temeridade juntar multidões no carnaval; temia-se que não houvesse carnaval, pensou-se até em adiá-lo. Mas o carnaval de 1919 aconteceu com força máxima, como se fosse o último, e todos sobreviveram. A alegria vencia o medo, abrindo a década de ouro da metrópole à beira-mar.

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1 Comentário

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    Ademar Amâncio , 19 de dezembro de 2019 @ 04:49

    Como eu queria voltar no tempo e viver tudo isso – Apesar que eu sou reencarnacionista,meu espírito milenar deve ter seus arquivos,é só esperar o desencarne,e sem pressa,rs.

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