Velhos roqueiros continuam produzindo e atraindo público de todas as idades

Google Imagens – Dreamstime.com (meramente ilustrativa)

O único jeito de ser ‘forever young’ é morrer jovem.

“Se eu tiver que cantar ‘Satisfaction’ com 45 anos, prefiro estar morto.” Dizia Mick Jagger com a arrogância de seus 23 anos, quando os Rolling Stones explodiam como uma banda rebelde e provocativa, com ele e Keith Richards bebendo, fumando e cheirando todas, exemplos de devassidão que escandalizaram o Reino.

Hoje com 79, Mick tem uma bisneta, continua positivo e operante, com barriga zero e voz poderosa, dançando pelo palco e cantando “Satisfaction”, talvez porque nunca esteja satisfeito com o que conquistou, com uma banda de 59 anos arrastando multidões pelo mundo com performances eletrizantes que empolgam pela vitalidade e pelo perfume de juventude que Kurt Cobain cantou.

Com 77, Keith Richards é o espírito do rock encarnado em um pacato pai de família e um músico extraordinário em plena atividade. E pensar que, nos anos 60, correu uma loteria em Londres em que se apostava sobre o dia da sua morte, que parecia iminente, tais os seus excessos com drogas pesadas. O homem escapou tantas vezes da morte, a última com um coco que caiu de cinco metros de altura na sua cabeça, que se dizia que depois do apocalipse nuclear só sobreviveriam as baratas e Keith Richards.

É a primeira geração do rock a chegar a uma velhice que se acreditava ser incompatível com o rock, música da juventude. Não era. Velhos roqueiros continuam produzindo e atraindo público de todas as idades. Como Sir Paul McCartney, aos 79, que aos 25 imaginou sua vida como um caquético sexagenário em “When I’m sixty-four” perguntando quem ainda vai precisar dele e quem vai alimentá-lo nessa idade. Em boa forma e vegetariano, com um pouco de botox, Sir Paul disse que aos 70 abandonou a cannabis, porque “não era um bom exemplo para a juventude”. Virou meme de gozação mundial: a sua obra colossal movida a vapor contraria suas advertências.

Bob Dylan, a voz da juventude rebelde contra o establishment, completou 80 anos rico, em boa saúde e vigor para gravar e fazer shows. Quem diria que aquele Dylan angry young man um dia gravaria um (lindo) disco com versões de clássicos românticos de Frank Sinatra, justamente a grande voz da geração que foi atropelada pelo rock rebelde.

Uns envelhecem bem, outros nem tanto: John Lydon, o abusado Johnny Rotten, Joãozinho Podre, líder do anárquico Sex Pistols e fundador do punk, aos 19 anos gritava que não havia futuro e aos 65 é apoiador de Donald Trump.

A frase do ativista Jack Weinberg em 1964, “Não confie em ninguém com mais de 30 anos”, depois inspirou um grande sucesso dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle. Marcos, o surfista, está inteiraço aos 77, sempre moderno, parceiro de Emicida, e o ciclista Paulo Sérgio, com inacreditáveis 81, desmentem a eles mesmos.

E Ney Matogrosso, com 80, e um corpinho de 30, continua rebolando sua arte e desafiando a ciência.

O tempo não se mede pelo calendário, mas pela intensidade. O único jeito de ser forever young é morrer jovem como Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison e Amy Winehouse.

Fonte: O Globo

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