Vamos lembrar e celebrar o Modernismo, porque o governo vai ignorar

Imagem: Google Imagens – Escola Kids – UOL

A desilusão com a Europa foi o início de uma nova era no Brasil, em São Paulo especialmente.

Além das eleições e do bicentenário da Independência, o ano que vem marca os cem anos da Semana de Arte Moderna de 1922, que é uma espécie de grito de independência da cultura brasileira, até então completamente submissa à europeia.

A carnificina, a selvageria e a estupidez da I Grande Guerra, que devastou a Europa de 1914/18, mostraram a qualquer idiota provinciano que os europeus fizeram o oposto da civilização. Ideias que produziram tanta morte e destruição por (quase) nada não mereciam mais crédito como modelo de coisa alguma.

Essa desilusão com a Europa foi o início de uma nova era no Brasil, em São Paulo especialmente, quando as roupas pesadas e fechadas do pescoço ao tornozelo das mulheres, com várias camadas de tecidos grossos que escondiam totalmente o corpo, foram trocadas por saias curtas, decotes, braços de fora, e tecidos mais leves e coloridos. E cabelos curtos, bem curtos. Os homens também trocaram os figurinos pesados e as barbas e bigodões que os envelheciam por uniformes de ginástica e maiôs de banho. Homens e mulheres pareciam estar descobrindo o corpo.

Nos domingos de sol, as regatas no Rio Tietê enchiam suas margens de torcedores, maratonas de natação cruzavam os rios Pinheiros e Tamanduateí com a multidão esperando os vencedores na margem.

Era o ambiente propício para a explosão do futebol, até então restrito a ingleses expatriados e playboys provincianos. O esporte da massa era o remo, em regatas festivas no Tietê. Nesse clima de desilusão festiva do pós-guerra, o futebol se popularizou nos campinhos de várzea, com a torcida até nos carros estacionados à margem do campo. Foi inaugurado o lindíssimo, e modernista, estádio do Pacaembu. São Paulo tinha 150 clubes e 15 mil atletas em ação.

A final da Copa Sul Americana entre Brasil x Uruguai no Rio de Janeiro, um ano antes do rádio chegar ao Brasil, exigiu da equipe de esportes do Estado de São Paulo um esforço de reportagem para informar em tempo (quase) real o andamento da partida. Pelo telefone, um repórter no Rio narrava o jogo para o colega na redação paulista que afixava as informações num grande placar virado para a praça abarrotada.

“Chute de Friedenreich passa raspando.”

“Ohhhhhhhhhhh!”, a multidão suspirava.

“Goooool do Brasil”, a praça lotada explodia.

Era o progresso. A febre do moderno.

Ao mesmo tempo, o lançamento do tocadiscos, chamado victrola por ser da RCA Victor, em substituição aos velhos gramofones em que a família ouvia música clássica depois do jantar, mudava o comportamento de moças e rapazes. Com a vitrola começam os “bailes de garagem”, com os ritmos frenéticos dos anos 1920, ao som do jazz, do swing e das danças modernas e sensuais.

Fonte: O Globo

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