Tenho vontade de chorar ao pensar que, além de tantas vidas, tantos amores foram perdidos pela pandemia

Imagem: Google Imagens – www.amazon.com (meramente ilustrativa)

A pandemia e a quarentena provocaram uma devastação entre os casais. O confinamento e a proximidade obrigatória favorecem, às vezes até por falta de assunto, DRs nefastas que não levam a lugar nenhum a não ser a outra DR, ou ao final da relação, por exaustão. Nesse quadro, amores foram destruídos por velhos ressentimentos que vieram à tona no confinamento. O desejo fo

i muito afetado na prisão domiciliar. Quem está sempre disponível, sem concorrência, desperta menor atração do parceiro/a, afinal, sempre está lá. Fica muito fácil. Quanto mais difícil, mais desejado. É a lei da oferta e da procura aplicada ao jogo do amor. Afinal, ninguém deseja o que já tem, sempre deseja mais, nunca se satisfaz, o homem é uma “máquina desejante”, ensinavam Lacan e Mick Jagger, em “Satisfaction”.

Quando conheci a psicanalista lacaniana e escritora Betty Milan, levei um susto quando ela me disse: “O amor é o culto do impossível”. Fiquei chocado, mas, ao longo da vida, reconheci a verdade. Mesmo amores felizes têm sua base no culto do impossível: o amor perfeito. Lembro da frase de Betty, com quem, ironicamente, depois vivi uma história de amor possível, quando penso nas crises conjugais geradas pelo confinamento, em DRs insuportáveis, em brigas que despertam vizinhos e os piores sentimentos, o avesso do amor. Imaginando o aumento exponencial dos conflitos gerados pelo confinamento é fácil entender por que aumentaram as separações. E, pior, tendo que ficar juntos na mesma casa, sem ter para onde ir. Pior ainda, aumentaram os casos de violência doméstica e feminicídios.

Tenho vontade de chorar ao pensar que, além de tantas vidas, tantos amores foram perdidos pela pandemia, logo o amor, tão necessário em tempos de tanto ódio. Essas perdas são tão colossais, na vida e na felicidade de milhões de brasileiros, que não podem ser quantificadas nem têm previsão de recuperação. A taxa de infelicidade nunca esteve tão alta. Até a economia sofre os seus efeitos, pessoas infelizes produzem menos.

Penso nos casais que tiveram que ficar em home office dividindo espaços apertados com crianças e adolescentes explodindo de energia e volume vocal no confinamento. Pobres crianças também, que nunca esquecerão esta experiência sinistra e talvez por isso venham a valorizar mais a liberdade.

Até agora as contas das perdas são de vidas, de empregos e da economia. As perdas imateriais são incalculáveis, e, com o tempo, vão ser avaliadas em sua profundidade e duração, atingindo muitos homens e mulheres que escaparam da Covid,mas foram vítimas do confinamento que lhes salvou a vida, mas acabou com seus relacionamentos.

As vacinas estão diminuindo o número de mortes e de contágio, mostrando que, se tivessem sido aplicadas antes, mais homens e mulheres poderiam ter preservado seus namoros, casos e casamentos, como amores que resistem em tempos do ódio e da cólera.A pandemia e a quarentena provocaram uma devastação entre os casais. O confinamento e a proximidade obrigatória favorecem, às vezes até por falta de assunto, DRs nefastas que não levam a lugar nenhum a não ser a outra DR, ou ao final da relação, por exaustão. Nesse quadro, amores foram destruídos por velhos ressentimentos que vieram à tona no confinamento. O desejo foi muito afetado na prisão domiciliar. Quem está sempre disponível, sem concorrência, desperta menor atração do parceiro/a, afinal, sempre está lá. Fica muito fácil. Quanto mais difícil, mais desejado. É a lei da oferta e da procura aplicada ao jogo do amor. Afinal, ninguém deseja o que já tem, sempre deseja mais, nunca se satisfaz, o homem é uma “máquina desejante”, ensinavam Lacan e Mick Jagger, em “Satisfaction”.

Quando conheci a psicanalista lacaniana e escritora Betty Milan, levei um susto quando ela me disse: “O amor é o culto do impossível”. Fiquei chocado, mas, ao longo da vida, reconheci a verdade. Mesmo amores felizes têm sua base no culto do impossível: o amor perfeito. Lembro da frase de Betty, com quem, ironicamente, depois vivi uma história de amor possível, quando penso nas crises conjugais geradas pelo confinamento, em DRs insuportáveis, em brigas que despertam vizinhos e os piores sentimentos, o avesso do amor. Imaginando o aumento exponencial dos conflitos gerados pelo confinamento é fácil entender por que aumentaram as separações. E, pior, tendo que ficar juntos na mesma casa, sem ter para onde ir. Pior ainda, aumentaram os casos de violência doméstica e feminicídios.

Tenho vontade de chorar ao pensar que, além de tantas vidas, tantos amores foram perdidos pela pandemia, logo o amor, tão necessário em tempos de tanto ódio. Essas perdas são tão colossais, na vida e na felicidade de milhões de brasileiros, que não podem ser quantificadas nem têm previsão de recuperação. A taxa de infelicidade nunca esteve tão alta. Até a economia sofre os seus efeitos, pessoas infelizes produzem menos.

Penso nos casais que tiveram que ficar em home office dividindo espaços apertados com crianças e adolescentes explodindo de energia e volume vocal no confinamento. Pobres crianças também, que nunca esquecerão esta experiência sinistra e talvez por isso venham a valorizar mais a liberdade.

Até agora as contas das perdas são de vidas, de empregos e da economia. As perdas imateriais são incalculáveis, e, com o tempo, vão ser avaliadas em sua profundidade e duração, atingindo muitos homens e mulheres que escaparam da Covid,mas foram vítimas do confinamento que lhes salvou a vida, mas acabou com seus relacionamentos.

As vacinas estão diminuindo o número de mortes e de contágio, mostrando que, se tivessem sido aplicadas antes, mais homens e mulheres poderiam ter preservado seus namoros, casos e casamentos, como amores que resistem em tempos do ódio e da cólera.

Fonte: O Globo

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