Questão de linguagem

Imagem: Arquivo Google – UOL Economia

Tudo começa na linguagem. Enquanto nos países de língua inglesa eles são chamados de taxpayers (pagadores de imposto) aqui somos conhecidos pela doce qualificação de “contribuintes”, que embute a ideia de facultativo ou opcional. “O senhor poderia contribuir para o nosso país?” “Vamos ver, minha filha, não sei se vou poder agora, estou meio apertado.” Claro que o “pagador de impostos” tem muito mais moral para exigir bom uso de seu dinheiro.
Quando o general Hamilton Mourão disse que o 13º salário era uma particularidade brasileira, quase foi linchado por sindicatos enfurecidos nas redes sociais. Eles acharam que Mourão queria acabar com o décimo terceiro! Mas ele não é louco nem burro. E sabe fazer contas. O que ele denunciou foi o paternalismo brasileiro que engana o trabalhador.
Em vez de ser recebido como um “presente de Natal”, o décimo terceiro poderia ser dividido em 12 parcelas incorporadas ao salário mensal. Nesses 12 meses, o trabalhador poderia gastar ou investir esse dinheiro extra como quisesse, seria melhor do que deixar o décimo terceiro no caixa dos empregadores.
Para quem ganha R$ 2 mil, é melhor receber mais R$ 167 por mês ou mais um salário no fim do ano? Os números não mentem. Os juros sobre um investimento de 12 meses na poupança somam R$ 2.045. Mas não é só pelos R$ 45.
Como está, parece uma gratificação, uma gorjeta, uma bondade populista, uma bolsa-Natal, quando, na verdade, é um direito do trabalhador escrito em lei. Quanto seria injetado na economia mensalmente por 1/12 da massa salarial? Melhoraria o dia a dia do assalariado? Poderia aquecer o comércio o ano inteiro, e não só no Natal ?
Quem sabe Mourão tem razão. É uma discussão interessante.
Falando nele, falador e desinibido, meio grosso e assertivo, mas articulado e inteligente, Mourão vem driblando posições extremas. O general é o terror dos filhos do capitão, que veem nele uma ameaça ao poder do pai. Uma sombra conspiratória paira sobre o Planalto. Sabendo do papel crucial dos vices na nossa história recente…
Fonte: O Globo

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