Predadores da pandemia

Os moçambicanos venceram a Covid-19 pelo que nós, brasileiros, não fizemos.

Imagem: Google – meramente ilustrativa

Fiquei muito impressionado com o relato do escritor angolano José Eduardo Agualusa, em quem tenho total confiança, de como Moçambique enfrentou, e venceu, a pandemia sem lockdown, sem cloroquina e sem politização do vírus.

Num país pobre de 30 milhões de habitantes foram registradas apenas 17 mortes, enquanto, na vizinha África do Sul, com 55 milhões, foram mais de dez mil.

Não, não é fake news. Não foi mágica nem vodu. Nem há como acusar de subnotificações; é informe da OMS. Os moçambicanos venceram a pandemia pelo que nós, brasileiros, não fizemos.

Venceram por terem lideranças responsáveis, consciência social e a disciplina adquirida penosamente nos 15 anos de guerra civil que viveram. Ninguém precisou mandar fechar nada em Moçambique, nem lojas, restaurantes, feiras e mercados; foi tudo resultado de uma grande campanha de conscientização e da maciça adesão da população às máscaras e às normas de proteção desde o início.

Enquanto isso, no Brasil, em meio ao individualismo, ao desprezo pelos outros e à indisciplina, a epidemia matava mais de 110 mil pessoas, 680 mil funcionários federais, estaduais e municipais roubaram, sim, a ajuda emergencial a que não tinham direito, tirando dos pobres e miseráveis. E mais de 70 mil militares, dos quais se esperam consciência social e disciplina, também embolsaram a ajuda indevidamente. Pelo menos, diz a lenda, foram obrigados a devolver e talvez tenham recebido alguma punição leve.

Mas o que merecem esses 680 mil que meteram a mão no bolso dos mais pobres? A campanha contra o “punitivismo”, versão atual da surrada acusação comunista de “moralismo burguês”, é tudo o que querem os ladrões em geral, de colarinho de qualquer cor, de todos os partidos, contra os que exigem que a lei seja cumprida — e seja igual para todos.

O elemento sabe que, como a impunidade impera, se colar, colou. Se não, o pior que pode acontecer é ter que devolver o dinheiro que não era seu. E também, se não devolver, não vai acontecer nada, ou não estaríamos no Brasil.

Fonte: O Globo

Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *