Precisamos falar de Anitta?

Anitta no clipe de ‘Vai malandra’ (Foto: André Munhoz / Divulgação)

Vista de perto parece quase uma animação digital, uma Jessica Rabbit carioca, cheia de graça e humor.
Depois de tudo que já se falou? É a artista do momento, a mulher do ano, sucesso internacional, embora muitos ainda a chamem de “funkeira”, pejorativamente, para confiná-la em uma favela musical. Mas por que ela também incomoda tanto?
Não tem voz! Gritava a velha guarda quando João Gilberto apareceu há 50 anos, em defesa das “grandes vozes” da Rádio Nacional. Gritaram de novo com Anitta, mas sua participação impecável na abertura das Olimpíadas, a convite de Caetano Veloso e Gilberto Gil, além do aval dos mestres, calou as bocas e encheu os ouvidos com uma voz doce, afinada e suingada.
Hoje não é mais possível compará-la a grandes vozes de outras gerações, porque no século XXI a música popular passou a ser um produto audiovisual digital, e nisso Anitta é rainha absoluta, desde o início construiu uma imagem mutante e sensual em torno de sua música dançante.
E reconstruiu o nariz, a boca, os cabelos, os peitos, a bunda, a barriga, como queria, à força de sua vontade, com cirurgias, dieta e malhação. Vista de perto parece quase uma animação digital, uma Jessica Rabbit carioca, em que tudo se harmoniza com o seu estilo envolvente, sedutor, divertido e inteligente.
Quem se proporia o desafio de lançar um clipe por mês durante um ano? E mais: com ótimas músicas em português, espanhol e inglês, de bossa nova eletrônica a reggaeton e funk de favela, filmados da Amazônia ao Vidigal, com Anitta enlouquecendo o Brasil com seu biquíni de fita isolante.
Como requisito indispensável para uma carreira internacional, Anitta aprendeu, sabe-se lá como, a falar inglês e espanhol fluentes, com ótimo sotaque, dá entrevistas em emissoras americanas e latinas, faz piadas, seduz o público, sempre segura e à vontade.
Sair de onde saiu, dos cafundós de Honório Gurgel, pobre, baixinha, sem estudos, parecida com outras anônimas das periferias, e chegar aonde chegou não é pouca coisa. E ela só tem 24 anos. E é a sua própria empresária, quem decide cada movimento de sua carreira.
Nunca um artista brasileiro foi tão longe e tão alto no mundo ultracompetitivo do pop internacional. E ela está só começando.
Fonte: Blog do Noblat

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