A politização do crime

Plenário da Câmara dos Deputados durante a votação da segunda denúncia contra Temer
(Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo)

Os que se dizem vitimas da ‘criminalização da política’, são os mesmos que politizaram o crime
Sinto pena, respeito e até admiração pelos bravos deputados e deputadas que formam a pequena minoria pluripartidária que mantém a integridade e não se alia ao presidente indecente e seus ministros sinistros, nem à imensa banda podre multipartidária, dos réus e indiciados na Lava-Jato, empenhados em salvar a pele e, se possível, faturar algum em espécie, ou conseguir um cargo e nomear alguém para lhes servir. Senão, para que servem os cargos, não é mesmo?
Eles são tão venais que, se Dilma tivesse distribuído os bilhões de reais em emendas e os cargos que Temer lhes deu, certamente não teria caído, mesmo tendo quebrado o país e mentido criminosamente para ser reeleita.
Até Collor, se tivesse molhado as mãos suadas e ávidas dos geddéis e valdemares, que na época talvez tivessem outros nomes, mas eram os arquétipos de sempre, teria escapado do impechment; afinal, as patifarias de PC Farias hoje iriam para o Juizado de Pequenas Causas.
Claro, entre os bandidos estão muitos dos mais inteligentes, que podiam prestar ao país os serviços para que foram eleitos, mas aderiram ao lado escuro da força. Por isso, o “Axioma de Ulysses”: “O próximo Congresso será sempre pior do que o anterior”. Muitos novos honestos que entram acabam se corrompendo, e não se conhece caso de ladrão velho que se regenere.
Mas entre os bons e maus, há os burros e inteligentes. Na votação das denúncias da PGR contra Temer na Câmara, a minoria votou contra pelos motivos errados: por tentar fazer reformas indispensáveis. A maioria votou a favor pelas piores razões: se a economia melhorou, então tudo é permitido. Rouba mas faz 2.0.
Como sabem que nunca serão presos, mesmo dando corridinhas ridículas com malas de dinheiro, mesmo gravados pedindo dinheiro emprestado a um bandido, mesmo oferecendo-lhe um apartamento, em vez de anunciá-lo no Zap, resta-nos a vingança das urnas.
Os que se dizem vítimas da “criminalização da política” são os mesmos que politizaram o crime. E o STF não condena um político há quatro anos.
Nosso consolo e esperança são as eleições. Será o ano mais longo da nossa história.
Fonte: Blog do Noblat

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