Pelo amor de Deus!

Foto: Arquivo Google – Paraíba RádioBlog

Não podem impor, em nome do Estado, suas crenças religiosas.
A chamada pauta de costumes na verdade é uma agenda religiosa. Aborto, jogo, sexualidade, drogas, álcool, nudez, corrupção são alguns pecados católicos que também são condenados por evangélicos e em outras religiões. Para uns, como obra de satanás, e para outros, produto do livre-arbítrio.
O proibicionismo nasceu com pressões religiosas que mudaram o comportamento e o rumo da sociedade nos Estados Unidos quando foram proibidos a produção, a venda e o consumo de álcool de 1920 a 1933, com resultados desastrosos: corrupção generalizada e ascensão das grandes quadrilhas de contrabandistas e gângsteres como Lucky Luciano e Al Capone. E nunca se bebeu tanto.
É legítimo e democrático que um governo de maioria conservadora tenha sua pauta de costumes no Congresso; afinal, foram eleitos por evangélicos e católicos. Só não podem impor, em nome do Estado, suas crenças religiosas. O Estado é laico. Pero no mucho .
E tanto que a Igreja Católica teve, durante séculos, desmedida influência no poder e na sociedade brasileira. Atrasou dez anos a liberação da pílula anticoncepcional. Décadas para legalizar o divórcio. Agora é a vez dos evangélicos. Mas por que o Estado submeteria toda a população a preceitos, crenças e dogmas de qualquer religião? Em nome de Deus? Qual deles?
Quais os limites de intervenção do Estado na liberdade individual de comportamento que não fere direitos alheios? Fazem-se milhares de abortos por ano no Brasil, e só as mulheres pobres morrem. Joga-se em tudo no Brasil, bancado pelo Estado, ou dominado por gângsteres. Mas a liberação dos cassinos é tabu. Enquanto isso, outros países ganham dinheiro e mantêm o jogo sob controle rígido. E assim por diante, para trás.
Cabe ao Congresso legislar e ao Judiciário, julgar. A sociedade já escolheu seus representantes e tem cada vez mais canais de comunicação direta. Mas todo cuidado é pouco, não se sabe o que pode ser pior: uma direita religiosa e intolerante tomando o Estado ou uma esquerda populista, corrupta e irresponsável.
Fonte: O Globo

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