O verde, o branco e o vermelho

Imagem: Arquivo Google – Senado Federal

Baseado na equação “o dinheiro da maconha vai para o tráfico comprar armas e oprimi rematara população ”, o governador acusou quem fumar um baseado no Rio de Janeiro de ser o responsável final pelas balas que mataram a menina Ágatha e outras crianças. Ignorância, demagogia ou má-fé? Ou tudo junto?
Será que ele não sabe que vinte e dois estados americanos, alguns conservadores, liberaram a cannabis medicinal e recreativa em referendos populares, até agora sem nenhuma consequência grave, além do fim do tráfico e o início de novas e crescentes receitas de impostos, com o estado em controle de quem compra, quem vende, quem planta, e em que quantidade?
Embora já movimente 40 bilhões de dólares legalmente nos Estados Unidos, com ações na Bolsa, a maconha  é droga de pobre,é barata, é natural, é fácil de plantar e não pode ser falsificada. Sim, o tráfico da maconha acaba, mas o problema não é botânico, é químico, com a cocaína, a heroína, a metanfetamina, e uma infinidade de drogas sintéticas perigosas e de origem duvidosa, distribuídas por quadrilhas internacionais.
E pior: já são seis milhões de dependentes de remédios tarja preta, analgésicos opioides que mataram Michael Jackson e Prince. Ricos, famosos e geniais, só queriam não sentir dor e dormir. Metáfora trágica dos tempos.
Diante desse quadro pesado, a maconha é leve, muito menos danosa do que o álcool e o tabaco, que geram colossais receitas de impostos para o estado – que gasta boa parte delas com a saúde de alcoólatras e tabagistas.
No Rio, o tráfico não é financiado pela maconha, que é barata e dá pouco lucro, mas pela cocaína, que é muito mais rentável, mais fácil de ser transportada, armazenada e falsificada. Como diz Paulo Coelho, que passou pelo inferno branco, “é a droga do demônio, enlouquece as pessoas, dá-lhes ilusão de força e onipotência e aumenta a violência.”
A maconha não é mais problema nos Estados Unidos, a polícia tem mais o que fazer, e políticos, juízes e policiais corruptos perderam uma boquinha.
Fonte: O Globo – Opinião

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