O Brasil no divã


Diante dos bate-bites e barracos nos piores níveis, pelos piores motivos, o Fla x Flu se sente ofendido
Ainda me lembro de um tempo em que discussões acaloradas entre rubro-negros e tricolores faziam do Fla x Flu o símbolo máximo do antagonismo e da rivalidade, mas raramente levavam a xingamentos, brigas e rompimentos. Não havia ódio nem rancor.
O Fla x Flu, que segundo Nelson Rodrigues começou 40 minutos antes do Nada, era o futebol como metáfora da guerra, mas hoje se tornou o símbolo mais baixo e estúpido da “normalidade” nacional.
Diante do que se vive hoje, nos bate-bites e barracos nos piores níveis, pelos piores motivos, o Fla x Flu se sente ofendido.
Quando passam por Chico Buarque no calçadão do Leblon gritando “vai para Paris, viado” , “vai pra Cuba, viado” , “viado filho da puta”, em que o único consenso é o viado, se revela, além da grossura e da ignorância, uma feroz homofobia.
Anitta, apesar da consagração popular e do sucesso internacional, é chamada de piranha, farsante, sem voz e sem talento, e horrorosa de cara, corpo e alma. Ninguém é obrigado a gostar dela e de sua música, mas se, em vez de respeitá-la, descarregam sobre ela ódios, ressentimentos e invejas que têm outras origens, revela-se um lado sombrio da alma brasileira. O ódio aos bem-sucedidos, ao contrário dos Estados Unidos, onde são respeitados como winners, enquanto os losers, fracassados, são desprezados. No Brasil, gostam muito do fracasso, de elogios póstumos e culpados.
Tom Jobim resumiu em frase exemplar. “No Brasil, sucesso é ofensa pessoal” .
Epa ! Vão dizer que estou comparando Anitta a Tom Jobim …rsrs
Quando disse que a velha guarda de 1958 gritava que João Gilberto não tinha voz, e que a velha guarda de 2018 grita que Anitta não tem voz, claro que não a estava comparando a João Gilberto, mas ironizando o mesmo argumento equivocado de duas velhas guardas separadas por 60 anos …
Será que alguém pensa que Gilberto Gil e Caetano Veloso são otários e não entendem de música por escolherem Anitta para cantar com eles na Olimpíada, contra a vontade do Comitê Olímpico?
Antes mesmo das reformas política, tributária e previdenciária, o Brasil precisa é de uma reforma psicanalítica.
Fonte: Blog do Noblat

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