O amigo oculto

Foto: Arquivo Google – Agência Brasil – EBC

Tenho um velho amigo que disse que fuma maconha todos os dias há 55 anos e tem uma memória fenomenal. Claro, “todos os dias” é modo de dizer, ele fuma moderadamente, e não bebe álcool.

A ideia dele foi desmentir mitos sobre a perda de memória e da maconha levar ao fracasso e à improdutividade, embora todos conheçam grandes músicos, escritores, atores, artistas plásticos, que a maconha em nada prejudicou. Não só artistas, cientistas, o astrônomo Carl Sagan fumou a vida inteira.

Meu amigo recebeu mensagens de ódio nas redes sociais chamando-o de assassino porque “financia o tráfico e as armas”. Que é culpado pelas balas perdidas que matam crianças. Sem fazer distinção entre o que é moral ou religioso e os direitos da cidadania numa democracia.

Nos Estados Unidos, liberada em 22 estados, se tornou uma indústria bilionária, e a população não enlouqueceu, nem o consumo aumentou. Os estados estão arrecadando fortunas em impostos. E gastando menos com presos.

Depois de morar nos Estados Unidos, onde o consumo era tolerado, meu amigo voltou ao Brasil e, pela péssima qualidade, resolveu plantar para o seu consumo no sítio de um primo, coisa de três, quatro plantas bastavam para meses de consumo. Nunca deu dinheiro para o tráfico. E nem fez apologia. Mas se cada um plantasse o seu o tráfico acabaria.

Durante a ditadura, a repressão era braba, um baseado dava cadeia. Até os anos 80 o Rio ainda não era dominado pelo tráfico, que começou a ganhar poder com a cocaína, muito mais cara e lucrativa do que a maconha, fácil de adulterar, menos volume para transportar.

O cara é ótimo pai de família. Escreveu 15 livros, fez milhares de colunas na televisão e em jornais, criou seriados, musicais de teatro, produziu discos, compôs centenas de músicas, nunca foi despedido ou saiu brigado de um trabalho. Nunca foi condenado ou preso, não roubou, foi e continua sendo um trabalhador incansável, que cumpre prazos e compromissos. E a maconha só lhe fez bem. E continua fazendo. Mas a escolha é de cada um.

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2 Comentários

  • Ademar Amâncio , 22 de janeiro de 2020 @ 02:46

    Se o cara tivesse viciado na tal maconha seria mais um pobre coitado engrossando as estatísticas,minha colega viciada roubou uma cidade inteira e matou até o pai com 17 facadas.E conheço alguns jovens desmemoriados e viciados que por onde passam vão deixando tudo para trás,mas eu sou pela legalização,o álcool também é outra tragédia,sem contar o cigarro e a tarja-preta.

  • Fabio , 8 de fevereiro de 2020 @ 11:45

    Porque o ademar nao tem uma foto?
    Porque ele esta mentindo.

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