Novas liberdades


Um passeio pelos perfis de mulheres de todas as idades, etnias e classes sociais no Instagram ou no Facebook revela muito das suas conquistas na era digital. Da adolescência a além dos 60, feias ou bonitas, gordas, magras ou saradas, elas postam fotos de biquíni, decotadas, provocantes, sensualizando, se mostrando para quem quiser ver, com liberdade e independência, confortáveis com seus corpos, orgulhosas de exibi-los. São filhas, irmãs, netas, mães, avós, se libertando de velhas repressões e preconceitos.
Não, as exibidas das redes não são vagabundas nem piranhas (algumas talvez, como alguns machões predadores) mas a maioria é de mulheres de bem e todas merecem respeito. Até as piranhas. Cada um faz o que quiser com seu corpo, desde que não agrida ou desrespeite o corpo alheio. É um direito constitucional.
A melhor resposta ao preconceito foi uma camiseta com o ideal amoroso do terceiro milênio: “Piranha monogâmica”.
Fora do controle de pudor das redes sociais, que não permitem nudez, na vida privada estamos em plena era dos nudes, que apimentam romances e encontros casuais e podem ensejar algumas combinações harmoniosas para gerar felicidade, como o voyeur e a exibicionista, ou vice-versa. Melhor, só sádicos e masoquistas kkkk.
O que pode ser muito bom para romance, sedução e aventura também pode ser muito perigoso, virou a arma mais letal e covarde que homens rejeitados usam para expor e vexar as mulheres que confiaram neles, que os amaram talvez, com quem dividiram sua intimidade. Só não queriam mais ficar com eles. Cuidado, meninas.
Shakespeare disse que não há fúria maior do que uma mulher rejeitada, mas não conhecia os homens brasileiros desprezados que expõem, agridem e matam mulheres que não os querem (mais).
A defesa da mulher, das nossas filhas, irmãs, mães e avós, da mulher amada, de sua liberdade, independência e respeito, não é uma ideologia, é um imperativo da civilização e da sociedade democrática e não se submete a regras de qualquer religião.
Fonte: O Globo – Edição Digital

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