Esperanças sobre ruínas

Rio se tornou um pesadelo para qualquer gestor.

Foto: Wikipedia

Reconstruir o Rio não é fácil, o mais difícil é restaurar a autoestima dos cariocas. A destruição do BRT é um dos símbolos, depredado pelos próprios usuários, que são os maiores prejudicados. Absurdos assim revelam o atual espírito carioca, não só como revolta por péssimos serviços e estupidez, mas porque não há fiscalização, policiamento e manutenção.

Falido econômica e politicamente, o Rio se tornou um pesadelo para qualquer gestor. Exige tanta entrega e determinação quanto ambição política. Exige coragem. Para não escamotear problemas e atribuí-los a heranças malditas, para falar claro com a população sobre suas propostas, para realizá-las de forma transparente. O oposto de Crivella.

Eduardo Paes fez muitas coisas boas e modernizou a cidade, mas também cometeu erros que custaram caro, a nós e a ele. O sucesso não ensina nada, é nos fracassos que se aprende. Além das urgências e reconstruções, ele vai enfrentar a “cultura política” do Rio, simbolizada por vários governadores e prefeitos presos e pela corrupção sistêmica que há décadas se instalou na administração municipal e numa Alerj marcada por escândalos, rachadinhas e desvios de dinheiro público.

Outro símbolo são os carros oficiais. Se a prefeitura está falida, sem dinheiro para pagar salários, nada justifica a manutenção de carros com motorista, gasolina, oficina, IPVA e multas, para burocratas municipais. Se a prefeitura restringisse esse privilégio, dentro da lei, seria um ótimo exemplo para o Judiciário e a Alerj. E uma imensa economia anual.

Nos Estados Unidos, só o presidente da Suprema Corte tem carro oficial, os ministros vão para o trabalho dirigindo seus carros, de Uber e de metrô, como qualquer cidadão. Aqui até o sub do sub do sub está motorizado às custas do contribuinte. A prefeitura, a Alerj e os tribunais têm uma vasta frota de carros sempre renovada.

Fonte: O Globo – imagem Google Imagens

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