Consultoria sentimental

Imagem: Facebook

O terror do amor é a DR. Uma discussão da relação pode ser exaustiva, trazer à tona mágoas e rancores antigos, descambar para acusações e ofensas pessoais, e até terminar em bate-boca e briga com cada um para o seu lado. A única parte boa de uma DR, diz a lenda, é a reconciliação na cama, que faz o sexo parecer melhor, porque já parecia perdido. Sim, tem gente que briga só para fazer as pazes.

Tenho um amigo, um devasso aposentado que passou por vários casamentos e é PHD em DR, que agora está vivendo uma relação amorosa intensa, mas em paz e harmonia. Graças à tecnologia, diz ele.

O e-mail foi feito para isso. Evitar conflitos e mal-entendidos, esfriando a cabeça e pensando antes de escrever, lendo e relendo o que escreveu, tentando entender o que o outro quer dizer, contendo a raiva e a violência verbal, sem gritar com MAIÚSCULAS. É bem mais fácil se desculpar por escrito do que olho no olho.

Discussões aprofundam o amor e o enriquecem. Mas quando as pessoas discutem com raiva e brigam, gritam, ficam feias, muito feias, por mais bonitas que sejam. As feições se deformam pela tensão, os olhos ficam esbugalhados, a boca se contorce. Quando a emoção atropela a razão, ninguém se entende. Os dois perdem.

Já na DR virtual, são grandes as chances de os mesmos motivos que levaram à DR ao vivo se resolverem pacificamente por e-mail, com cada um se acalmando e se desarmando antes de escrever. Ou escrevendo no impulso um e-mail-bomba descarregando toda a raiva que está sentindo. Mas não enviando. E no dia seguinte, relendo tudo a frio, cortando palavras rudes e ásperas, deletando coisas que o envergonham de ter escrito, reescrevendo tudo, diminuindo e deixando só o essencial, permitindo que a razão trabalhe a favor da emoção. Afinal, o que se quer é resolver um problema ou disputar quem é mais forte ou mais inteligente?

Não façam como Bolsonaro, que acorda mal-humorado depois de uma noite mal dormida, e fala barbaridades sem pensar, criando conflitos e uma crise atrás da outra.

Fonte: O Globo – Edição Digital

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