Chuva ácida

Além da Mangueira, como falar de outra coisa?

Imagem: Arquivo Google – Giro de Notícias

Como o vídeo chegou a Bolsonaro? Por um filho, um ministro, um assessor? Quem foi o gênio que lhe deu a brilhante ideia de postar?
Imaginem se um presidente americano ou argentino postasse essa porcaria, como reagiria Bolsonoro, ou qualquer governo brasileiro? Haveria uma indignação geral, ameaça de processos, escândalo internacional. A bolsa caiu, o país foi ridicularizado, investidores se encolheram, nada poderia ser mais danoso para o Brasil. Mas foi o próprio presidente que fez o que só um inimigo do Brasil faria, que até seus próprios eleitores condenaram.
E para que tudo isso? Para acusar a esquerda de pornográfica, como fazia a ditadura? Para agradar a seus devotos, pregando para convertidos? Para denunciar a degradação de costumes geral por um ato isolado? Quem ganha com isso?
As questões vitais do Brasil foram para segundo plano, a reforma da Previdência, os esforços de Paulo Guedes e Sergio Moro, e o país discute se para condenar a pornografia é preciso exibi-la, ou se exibi-la é que é pornográfico. Enquanto isso, o mundo se diverte com o Brasil sob uma chuva dourada.
Não adianta acusar o globalismo, a mídia internacional é incontrolável e provoca consequências devastadoras. Quem vai querer investir num país com um presidente assim? Cortejar Trump vai ser inútil, quando for do interesse dele, a sua vontade e sua força vão sempre prevalecer. Trump é como Bolsonaro, só discute com quem pensa igual a ele.
Está em curso uma guerra cultural aos “artistas”, dos melhores aos piores, de qualquer arte, que divertem e emocionam o país, porque não votaram em Bolsonaro. E agora ao carnaval, porque ele foi criticado. Foram declarados inimigos, nem sequer adversários, inimigos a serem destruídos — que é assim que militares são treinados, atacar e destruir é sua missão constitucional. Em Bolsonaro, é estilo.
Muito mais inteligente, preparado e equilibrado do que o capitão, o general Mourão está parecendo um estadista democrático.
Fonte: O Globo – edição digital

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