Anjos e demônios

Deus e o diabo (Foto: Arquivo Google)

Ele queria acreditar em Deus, mas para isso precisava entender a presença do mal no mundo
Como advogado, meu pai acreditava no poder da inteligência e da razão para entender e explicar o mundo, resolver problemas e disputas, e também para ajudá-lo em suas dúvidas metafísicas, que desafiavam sua espiritualidade difusa, mas intensa. Ele queria acreditar em Deus, mas para isso precisava entender a presença do mal no mundo, que não podia ser entendida só com a razão, e mergulhou em profundas pesquisas sobre os demônios e seus poderes. Sabia seus nomes (que não ouso repetir), hierarquias, atributos e malfeitos, tornou-se quase um demonólogo. Mas não bastava.
O estudo do mal e de seus agentes não explicava sua presença no mundo harmônico e amoroso de Deus, mas a trajetória dos anjos caídos o levou a pesquisar com paixão intensa os seus opostos: os anjos de luz, os arcanjos esplendorosos, os guardiões do bem contra a maldade satânica sobre os filhos de Deus. Tinha centenas de livros em várias línguas sobre anjos e demônios. Mas não tinha religião formal, detestava a intolerância e as políticas retrógradas das igrejas. Muito ligado a dom Hélder Câmara, com quem fundou o Banco da Providência, parecia que sua religião eram a caridade, a compaixão e a tolerância.
As maiores e mais demoníacas matanças da história da Humanidade foram, e continuam sendo, em nome de Deus. As legiões satânicas parecem mais ativas do que nunca, e mais numerosas, conforme a pergunta clássica que os exorcistas fazem aos endemoniados:
— Quem é você?
E a voz satânica rosna, ameaçadora:
— Meu nome é legião.
São legiões de legiões, que, no mundo inteiro, em Brasília certamente, enfrentam os anjos de luz, de bondade, de amor e de paz.
É difícil acreditar nisso? Difícil é acreditar no Brizola, no Collor e no Lula… rsrs… dizia meu pai, mas o Brasil acreditava.
Um dia, me disse que, depois de anos e anos de estudos metafísicos e filosóficos, usando toda sua inteligência e lógica, o rigor de seus argumentos, chegara à conclusão inexorável que virou nossa lei:
— Fazer o que tem que ser feito.
Todo mundo sabe o que tem que ser feito. Mas muitos não fazem. Esperam que outros façam.
Fonte: Blog do Noblat

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