Animalistas e animalidades

A lei atual de proteção a animais está em vigor, é só aplicá-la

Foto: Google – Prefeitura de Iepê (foto meramente ilustrativa)

Aprovada na Câmara e no Senado, vai à sanção presidencial a lei que pune maus-tratos, ferimentos e mutilações de cães e gatos com penas que vão até cinco anos de prisão, aumentando as punições da lei atual, que prevê de três meses ao máximo de um ano de prisão e multa. A intenção pode ter sido nobre, por respeito aos animais, ou para agradar ao eleitorado que ama cães e gatos. Mas pode atrapalhar: cinco anos parece desproporcional a crimes mais graves e pode ajudar os advogados a livrar a cara de seus clientes abusadores de animais. A lei já existe, é razoável, mas raramente é aplicada. Dá uma multa pesada, um ano de serviços comunitários, assistir a palestras e, em casos extremos, jaula — como os animais perigosos.

Há muito tempo já entendi que, quanto mais conheço humanos, mais amo e respeito os animais.

Animais não mentem. Não traem. Não atacam sem motivo. Alguns são muito inteligentes, não só por atender a comandos e treinamentos, como os cães disciplinados, mas pela independência, como os gatos. Feliz de quem já sentiu o amor e a lealdade de um animal. Sim, existe amor entre as espécies.

Lá vem o machão relinchar que isso é coisa de viadinho, de comunista, de sensivão. São os covardes que descontam sua raiva e frustração em animais inocentes. Espancar um bicho indefeso é fácil, por que não vão procurar um animal do seu tamanho? Ou encarar seu próprio pitbull? Porque são covardes.

É ok “não gostar” de animais, mas sinto como um mau sinal de caráter alguém que despreza e agride animais. Já fico com as orelhas em pé, olho vivo e faro fino.

No convívio com os animais, os humanos vão aprendendo com eles, entendendo sua linguagem, desenvolvendo genuínas relações de afeto e respeito, que fazem grande diferença na vida real.

A lei atual está em vigor, é só aplicá-la —e caçar os “animais” que abusam de lindos seres da natureza, inteligentes e sensíveis, que nos fazem companhia, nos divertem e nos amam com sinceridade, lealdade e fidelidade. Quantos humanos são capazes disso?

Fonte: O Globo

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