Qual é a do Exército?

A relação com Bolsonaro

O general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira fala ao presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de formatura de novos paraquedistas no Batalhão de Infantaria Paraquedista da Vila Militar, no Rio de Janeiro
24/11/2018 Fernando Souza/AFP

Fala sério, Leitor, você consegue compreender qual é a lógica do Exército em seu relacionamento com o ex-capitão, o presidente Bolsonaro? Para mim, como já disse de outras vezes, é um mistério. Um verdadeiro enigma insondável.

Jair Bolsonaro foi expulso do Exército em 1987, por insubordinação e conduta antiética. Era considerado um mau militar por um dos ícones da Farda Brasileira, Ernesto Geisel. Numa entrevista assinada pelos pesquisadores Maria Celina D’Araujo e Celso Castro, posteriormente editada em livro pela Fundação Getúlio Vargas, Geisel afirmou que “Bolsonaro é um caso completamente fora do normal, inclusive um mau militar”.

E prosseguiu o Presidente Geisel: “Neste momento em que estamos aqui conversando, há muitos dizendo: ‘Temos que dar um golpe. Temos que derrubar o presidente! Temos que voltar à ditadura militar!’ E não é só o Bolsonaro, não! Tem muita gente no meio civil que está pensando assim”.

Geisel disse também que a vinculação dos militares com a política era tradicional, mas que, em sua opinião, essa interferência diminuiria à medida em que o país se desenvolvesse.

Pois é, mas como o país não se desenvolveu e como o capitão insubordinado virou presidente da República, sabe Deus por qual motivo, temos atualmente mais militares que civis no Palácio do Planalto.

E que fazem esses militares diante do comportamento grosseiro, violento, até obsceno, do ex-capitão? Aparentemente, nada, já que diariamente, naquele palanque infeliz que Bolsonaro montou no portão do Alvorada, cenas inimagináveis acontecem, como a das ‘bananas’ que o ex-capitão dá para jornalistas.

‘Bananas’ que seu filho Eduardo, mais depressa que imediatamente, imita, em pleno plenário da Câmara dos Deputados e atira contra os colegas estupefatos.

Mas eu não creio que a culpa por essas cenas que envergonham o Brasil seja só dos militares. Para mim, mais culpada é a Imprensa que já deveria ter tomado a decisão de jamais voltar àquele portão e se limitar a publicar apenas dados da agenda oficial da Presidência da República e fotos só as de cerimônias públicas oficiais.

Chega de dar espaço a esse espetáculo circense, que no fundo atua como campanha eleitoral gratuita, para o ex-oficial do Exército que nem sequer chegou a major…

Fonte: Blog do Noblat

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