Obra-Prima do Dia: Escultura: O Êxtase de Santa Teresa, por Gian Lorenzo Bernini (1652)

O altar lateral na Capela Cornaro da igreja de Santa Maria da Vitória, em Roma, é dominado pela imensa escultura de Bernini, considerada uma das mais fantásticas obras-primas do Barroco italiano.

O altar da Capela Cornaro (Foto: Divulgação)
Completada pelo grande escultor em 1652, é uma dramatização da experiência descrita pela carmelita descalça, Teresa de Ávila, canonizada poucos anos antes de Bernini se dispor a esculpir o que a santa descreveu em sua autobiografia, “Vida de Teresa de Jesus (1515/1582). Considerada uma das Doutoras da Igreja, Teresa descreve seu encontro com o anjo que lhe provocou o êxtase religioso que Bernini tão bem descreve em mármore. Segundo Teresa, ela viu um anjo atravessar seu coração com uma lança dourada, o que lhe causou tanto uma intensa alegria quanto uma intensa dor.

Detalhe: o êxtase da santa (Foto: Divulgação)

A estátua é iluminada pela luz natural filtrada por uma pequena janela na cúpula que cobre o altar, luz acentuada pelos raios de gesso dourado que o artista criou para mostrar o lado místico da experiência da carmelita, raios que enfatizam a presença do Espírito Santo nesse episódio.

A presença do Espírito Santo (Foto: Divulgação)

O pano de fundo e as laterais do altar são em mármore colorido, assim como os camarotes onde Bernini colocou os patronos da capela, membros da família Cornaro, que são vistos conversando, atentos ou rezando diante da estátua.

Os patronos da Capela Cornaro (Foto: Divulgação)

O contraste entre o mármore colorido e a alvura da pedra usada pelo escultor para descrever Teresa e o anjo aumenta a sensação de diferentes realidades. Copio aqui o que disse o crítico de arte Rudolf Wittkover: “Bernini diferenciou os vários níveis da realidade. Os Cornaro parecem tão vivos quanto nós, os que estamos visitando a igreja Pertencem ao nosso mundo, ocupam o mesmo espaço que ocupamos. Já Teresa, no sobrenatural evento ali descrito, está numa outra esfera, isolada pela luz celestial que a ilumina”.
Apesar do ponto de partida do escultor ter sido a autobiografia de Teresa, há muitos detalhes criados pela imaginação do mestre, como a posição do corpo, o hábito esvoaçante, assim como a carga sensual do momento vivido pela carmelita. “Certamente nenhum outro artista ousou tanto quanto Bernini na transformação da aparência da santa” dizem muitos dos mais renomados críticos de arte, desde John Ruskin (1819/1900).
Igreja de Santa Maria da Vitória, Roma
Fonte: Blog do Noblat

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